16 de novembro de 2017

Eu sinto muito

Eu sinto muito. Até demais. Não sei se é certo ou errado, ou os dois são partes de uma coisa só. Só sei que eu sinto. Muito.
Sinto uma grande dificuldade em viver na Terra, saber lidar com os sentimentos e as pessoas. Quando a alegria vem, sinto uma necessidade de destruí-la. Será possível criar pra sempre? Acho que sim. Porque todo o “mal” só fará o bem, te faz crescer, evoluir. Sempre que me dou conta disso, volto para a paz. Estou me conhecendo. E me ouvindo.
Depois que saio desse emaranhado que eu mesma criei por necessidade, ainda que inconsciente, vejo que era tudo o que eu precisava e nem sabia. Para mudar coisas específicas que eu nem tinha me dado conta. Instinto? Lei natural da vida. Confio em mim mesma porque sei que também estou no futuro.

Estou no futuro também, parte de mim está lá, o pensamento começando a se materializar, o aqui e o agora e a dissolução se fazendo no passado. Eu sinto muito. Até demais. Não sei se é certo ou errado, ou os dois são partes de uma coisa só. Só sei que eu sinto. Muito.

18 de outubro de 2017

Características das almas e suas respectivas dimensões

Existem três tipos de dimensão que, na verdade, tratam-se de projeções: passado, presente e futuro. Cada uma delas possui características peculiares, de acordo com sua essência/comportamento.

O passado é o que chamamos de "espírito"; sabemos quem fomos, já existe uma forma construída, desenhada, mas essa forma não é palpável. No presente, nossa alma se comporta como história: sempre permanente e, por isso, presente. Ela está sempre viva para os humanos, pois está sendo lembrada, lida, ouvida, admirada, como se estivesse aqui. E quanto mais humanos contam e pensam sobre essa história, mais possibilidade existe da alma ficar por aqui, na dimensão do presente (a consciência quântica explica isso). Já no futuro, a alma não está mais aqui. Não sabemos como ela é (por isso não é passado, nem presente). Trata-se de uma projeção, na qual vemos tudo e, sendo assim, está mais perto da eternidade, que mescla todos os tempos. Na eternidade, passado, presente e futuro se misturam. Não é nada disso, mas ao mesmo tempo, tudo. Um estado pleno.

Esses dias fiquei me perguntando: como será que deve ser ficar, depois do corpo se decompor; ser uma história? Como eu me sentiria estando no estado de uma história? Só sendo uma história. Se quiser que sua alma fique sempre no presente (independente de qual planeta esteja), crie uma história forte. Bem forte, para que possa ser lembrada por milhões de pessoas e muitas gerações.

2 de outubro de 2017

Nudez

Como a sexualidade e a nudez devem ser tratadas com clareza e naturalidade, se nós não a vemos com clareza e naturalidade? E quando existe essa tentativa, ela é podada? A intervenção artística que rolou no MAM é justamente um meio de fazer-nos ver uma pessoa nua sem a perversidade crescente do modelo social moderno. A apresentação é inspirada no trabalho Bichos, de Lygia Clark, e integrava a programação do 35º Panorama de Arte Brasileira.

O que a população não conseguiu compreender é que a intervenção é, justamente, uma provocação que nos desafia a refletir sobre como nós mesmos vemos a nudez... E se tivermos malícia diante disso, vale a pena reavaliarmos nossos valores, não? O ato aconteceu na última semana de Setembro deste ano e fazia parte da exposição La Bête. Wagner Schwartz se apresentava completamente nu em uma das salas do museu, manipulando uma réplica de escultura. Em meio as coreografias, o público é convidado a interagir.

A indignação foi tamanha, quando uma criança se integrou ao processo, que o Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito a fim de investigar uma denúncia feita (fora o alarde nas redes sociais). Que fique claro: devemos considerar fortemente que a criança não tem malícia. Nós é que temos. Você, que assiste/assistiu ao vídeo, tem. 

Além disso, torna-se justificável a interação de uma criança (claro, com a supervisão da mãe, que estava na cena), já que, quanto mais cedo ensinarmos determinados valores, melhor é, em termos de absorção, de aprendizado. Todos sabemos que quanto mais velhos ficamos, mais difícil é a tentativa de se recondicionar. Daí, é preciso desconstruir culturas e dogmas. Enfim, a criança, ao menos, crescerá vendo a nudez de maneira mais natural que nós. É a arte cumprindo seu papel - ou pelo menos tentando, em um momento politicamente tão conturbado.

12 de setembro de 2017

Mecanismo de Transcendência

Markus Spiske
A mudança deve ser verdadeira, se ela não é compreendida, volta-se à estaca zero; no momento em que se deixa a realidade, ela não existe mais. Desprenda-se o máximo que puder do ego. Ele é sua forma, mas não deve fazer da sua consciência, prisioneira. O ego é o que faz nos localizarmos, nos situa, por isso ele sempre pede atenção: fique com os pés aqui. Por essa razão, é necessário compreender que ele é apenas uma máscara, uma ferramenta pra te identificar, fazer com que consigamos nos comunicar, nos organizarmos no tempo. Ao ver a vida sem esta capa, as coisas tornam-se mais leves, pois abandona-se essa parte física da mente. Enxergar a vida compreendendo que ego é temporário é viver na paz, por escolha, pois tristeza também é ego. Vitimismo, culpa, egoísmo ou apego são todos produtos da característica material egóica. E não digo que trata-se de algo mal, mas natural. Precisamos dele para viver aqui  - basta compreender isso e controlar de maneira fluídica.

Nossa existência é única e passageira, por esta razão, não é viável se apegar tanto à identidade. E você sabe o que significa "único" para eternidade? É preciso este entendimento, pois depois não há mais consciência individual, apenas o todo.  Somos a experiência da energia canalisada (que coisa linda) no qual o corpo, ao se desintegrar (já está, aos poucos), se direcionará à uma colisão (para a eternidade e entre os corpos inertes, posteriormente); aliás, o fim do planeta Terra, é um momento como qualquer outro. Viraremos luz, enquanto vestígios  - por isso estamos mais perto da luz, como 1% que somos, lindos e inteligentes, únicos (e agradeço pela oportunidade). E o que acontecerá? O sono eterno do corpo e a leveza da eternidade, para depois, mais explosões infinitas. O universo sempre cresce, evolui e explode de luz (para a inércia da calmaria comprimí-lo novamente). O amor, a luz pode demorar, mas sempre volta neste ciclo. Estamos soltos neste processo, como mais um elemento.

A utilização de drogas psicodélicas pode ser um mecanismo maravilhoso para a transcendência, já que o alucinógeno não deixa de mostrar o mundo visível pelo homem, mas possibilita visualizar coisas que ele não vê, por sua natureza. Para ver isso, é preciso abandonar uma parte do corpo físico, ou seja, o ego (por isso ficamos leves ao utilizar essas substâncias). É preciso estar um pouco vivo para ver como funciona o mecanismo do cosmos antes, pela nossa consciência, afinal, ela desaparecerá. Sendo assim, na transcendência, esse processo se torna natural, já que estamos nesta transição e podemos nos guiar até o todo. Visualizando a beleza do cosmos, iremos conscientes e em paz. Então é assim e as estrelas se vão? Muito sábias! :)

Vale observar que, quando sua presença causa impacto na Terra, a alma deixa um rastro de luz. Por isso nos identificamos com estas estrelas, pois é como se fosse uma herança psicológica que possuímos - assim como a herança biológica, segundo Jung. Inclusive, o inconsciente coletivo também é como se fosse essa materialização, prevendo por meio dos elementos futuros ligados a nós, acontecendo e, posteriormente, se dissolvendo; transformando o espaço, criando e deixando o seu rastro até o final de nossa espécie - para a construção de outras coisas depois. Por esta razão sabemos, no fundo de nossas almas, a razão do apagar.