18 de outubro de 2017

Características das almas e suas respectivas dimensões

Existem três tipos de dimensão que, na verdade, tratam-se de projeções: passado, presente e futuro. Cada uma delas possui características peculiares, de acordo com sua essência/comportamento.

O passado é o que chamamos de "espírito"; sabemos quem fomos, já existe uma forma construída, desenhada, mas essa forma não é palpável. No presente, nossa alma se comporta como história: sempre permanente e, por isso, presente. Ela está sempre viva para os humanos, pois está sendo lembrada, lida, ouvida, admirada, como se estivesse aqui. E quanto mais humanos contam e pensam sobre essa história, mais possibilidade existe da alma ficar por aqui, na dimensão do presente (a consciência quântica explica isso). Já no futuro, a alma não está mais aqui. Não sabemos como ela é (por isso não é passado, nem presente). Trata-se de uma projeção, na qual vemos tudo e, sendo assim, está mais perto da eternidade, que mescla todos os tempos. Na eternidade, passado, presente e futuro se misturam. Não é nada disso, mas ao mesmo tempo, tudo. Um estado pleno.

Esses dias fiquei me perguntando: como será que deve ser ficar, depois do corpo se decompor; ser uma história? Como eu me sentiria estando no estado de uma história? Só sendo uma história. Se quiser que sua alma fique sempre no presente (independente de qual planeta esteja), crie uma história forte. Bem forte, para que possa ser lembrada por milhões de pessoas e muitas gerações.

2 de outubro de 2017

Nudez

Como a sexualidade e a nudez devem ser tratadas com clareza e naturalidade, se nós não a vemos com clareza e naturalidade? E quando existe essa tentativa, ela é podada? A intervenção artística que rolou no MAM é justamente um meio de fazer-nos ver uma pessoa nua sem a perversidade crescente do modelo social moderno. A apresentação é inspirada no trabalho Bichos, de Lygia Clark, e integrava a programação do 35º Panorama de Arte Brasileira.

O que a população não conseguiu compreender é que a intervenção é, justamente, uma provocação que nos desafia a refletir sobre como nós mesmos vemos a nudez... E se tivermos malícia diante disso, vale a pena reavaliarmos nossos valores, não? O ato aconteceu na última semana de Setembro deste ano e fazia parte da exposição La Bête. Wagner Schwartz se apresentava completamente nu em uma das salas do museu, manipulando uma réplica de escultura. Em meio as coreografias, o público é convidado a interagir.

A indignação foi tamanha, quando uma criança se integrou ao processo, que o Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito a fim de investigar uma denúncia feita (fora o alarde nas redes sociais). Que fique claro: devemos considerar fortemente que a criança não tem malícia. Nós é que temos. Você, que assiste/assistiu ao vídeo, tem. 

Além disso, torna-se justificável a interação de uma criança (claro, com a supervisão da mãe, que estava na cena), já que, quanto mais cedo ensinarmos determinados valores, melhor é, em termos de absorção, de aprendizado. Todos sabemos que quanto mais velhos ficamos, mais difícil é a tentativa de se recondicionar. Daí, é preciso desconstruir culturas e dogmas. Enfim, a criança, ao menos, crescerá vendo a nudez de maneira mais natural que nós. É a arte cumprindo seu papel - ou pelo menos tentando, em um momento politicamente tão conturbado.

12 de setembro de 2017

Mecanismo de Transcendência

Markus Spiske
A mudança deve ser verdadeira, se ela não é compreendida, volta-se à estaca zero; no momento em que se deixa a realidade, ela não existe mais. Desprenda-se o máximo que puder do ego. Ele é sua forma, mas não deve fazer da sua consciência, prisioneira. O ego é o que faz nos localizarmos, nos situa, por isso ele sempre pede atenção: fique com os pés aqui. Por essa razão, é necessário compreender que ele é apenas uma máscara, uma ferramenta pra te identificar, fazer com que consigamos nos comunicar, nos organizarmos no tempo. Ao ver a vida sem esta capa, as coisas tornam-se mais leves, pois abandona-se essa parte física da mente. Enxergar a vida compreendendo que ego é temporário é viver na paz, por escolha, pois tristeza também é ego. Vitimismo, culpa, egoísmo ou apego são todos produtos da característica material egóica. E não digo que trata-se de algo mal, mas natural. Precisamos dele para viver aqui  - basta compreender isso e controlar de maneira fluídica.

Nossa existência é única e passageira, por esta razão, não é viável se apegar tanto à identidade. E você sabe o que significa "único" para eternidade? É preciso este entendimento, pois depois não há mais consciência individual, apenas o todo.  Somos a experiência da energia canalisada (que coisa linda) no qual o corpo, ao se desintegrar (já está, aos poucos), se direcionará à uma colisão (para a eternidade e entre os corpos inertes, posteriormente); aliás, o fim do planeta Terra, é um momento como qualquer outro. Viraremos luz, enquanto vestígios  - por isso estamos mais perto da luz, como 1% que somos, lindos e inteligentes, únicos (e agradeço pela oportunidade). E o que acontecerá? O sono eterno do corpo e a leveza da eternidade, para depois, mais explosões infinitas. O universo sempre cresce, evolui e explode de luz (para a inércia da calmaria comprimí-lo novamente). O amor, a luz pode demorar, mas sempre volta neste ciclo. Estamos soltos neste processo, como mais um elemento.

A utilização de drogas psicodélicas pode ser um mecanismo maravilhoso para a transcendência, já que o alucinógeno não deixa de mostrar o mundo visível pelo homem, mas possibilita visualizar coisas que ele não vê, por sua natureza. Para ver isso, é preciso abandonar uma parte do corpo físico, ou seja, o ego (por isso ficamos leves ao utilizar essas substâncias). É preciso estar um pouco vivo para ver como funciona o mecanismo do cosmos antes, pela nossa consciência, afinal, ela desaparecerá. Sendo assim, na transcendência, esse processo se torna natural, já que estamos nesta transição e podemos nos guiar até o todo. Visualizando a beleza do cosmos, iremos conscientes e em paz. Então é assim e as estrelas se vão? Muito sábias! :)

Vale observar que, quando sua presença causa impacto na Terra, a alma deixa um rastro de luz. Por isso nos identificamos com estas estrelas, pois é como se fosse uma herança psicológica que possuímos - assim como a herança biológica, segundo Jung. Inclusive, o inconsciente coletivo também é como se fosse essa materialização, prevendo por meio dos elementos futuros ligados a nós, acontecendo e, posteriormente, se dissolvendo; transformando o espaço, criando e deixando o seu rastro até o final de nossa espécie - para a construção de outras coisas depois. Por esta razão sabemos, no fundo de nossas almas, a razão do apagar.

7 de junho de 2017

Amor Próprio

Forester
No mês passado, elaborei um artigo sobre o todo, analisando a base do universo. Mas como conseguimos acessar a pureza do amar, estar conectado, se não confiamos na existência? Como saber se tudo está correto, mesmo quando não parece? Ter discernimento que tudo faz parte de uma coisa só as vezes é muito difícil quando estamos passando por um momento conturbado; por isso a meditação é importante.

Para conhecer o todo, primeiro temos que conhecer a nós mesmos. Entretanto, é difícil conhecer a nós mesmos, se não temos tempo para olhar para dentro. A maior parte das pessoas chega cansada do trabalho, dá uma "fuçadinha" na internet ou assiste TV e, logo, está dormindo, para no dia seguinte acordar cedo novamente, tomar café, pegar a condução correndo para chegar trabalho e se concentrar durante o dia inteiro. Como conhecer a si mesmo, se não temos tempo para pensar nas nossas atitudes, muito menos meditar sobre elas? Essa seria a maneira mais eficaz e transformadora de evolução. Com essa falta de autorreflexão, o ser humano passa a ficar distante de si mesmo, não tem tempo para fazer o que gosta e sente-se vazio. Como amar alguém que não se conhece?

Aqueles que acham que se amam, na verdade apenas possuem vaidade (me refiro a maioria absoluta). Como se amar verdadeiramente, se não se (re)conhece? Se não enxergam profundamente o que existe dentro do seu eu, trata-se de um amor superficial. Ou uma paixão própria. Amar a si mesmo não tem nada a ver com ego.

O mais curioso é que, muitas das pessoas que têm tempo e instrução, muitas vezes têm medo de olhar para dentro, também deixando a meditação de lado. Isso porque sabem que não vão gostar do que vão ver quando adentrarem as profundezas do cérebro e do coração. Porém, esse é o único caminho para o autoconhecimento e a sabedoria do todo.

No começo, esse processo de aprofundamento é um pouco desconfortável, pois encontramos falhas que, no consciente, costumamos negar, esconder; mas isso é temporário, porque conforme vamos conhecendo as nossas atitudes, as entendemos e as compreendemos, sabendo que tudo é necessário para nosso desenvolvimento moral/espiritual e que faz parte de uma coisa só. Livramo-nos da culpa e nos tornamos seres melhores. Grande parte da sociedade fala muito sobre "Amar a Deus sobre todas as coisas" e sobre amor ao próximo, mas ninguém fala sobre o amor próprio da maneira que deve ser abordado.

Além da meditação, outro ponto importante para se amar, é buscar aquilo que realmente é bom para nós mesmos. Sem egoísmo, como um cuidado. Quando amamos alguém, desejamos o melhor à ele, certo? Fazemos coisas para agradar e deixá-lo feliz. A partir deste ponto, faça o que realmente te satisfaça. A melhor coisa que podemos oferecer aos outros é nossa alegria. Mas antes disso, a melhor coisa que podemos dar à nossa própria vida, é o cuidado com a própria alma e a dedicação de se expandir a consciência. Isso nos deixa felizes conosco e o resultado é um estado de paz permanente - dentro e fora.

Amar não é adular o ego corpóreo com objetos e prazeres temporários. Esse é um engano grave que o sistema, inclusive, nos faz acreditar; isso nos confunde. Assim, uma mentalidade egocêntrica e interesseira é estimulada e esquece-se totalmente da essência, do verdadeiro eu. Da alma. Se não possuírem esse amor e compreensão interiores, não serão capazes de amar o próximo verdadeiramente... E, menos ainda, a existência (que chama-se deus).