28 de julho de 2008

Visão imparcial sobre o exagero no jornalismo.

Durante anos as notícias eram transmitidas apenas para manter-nos informados de alguns fatos- a princípio apenas das redondezas de vilas- através dos famosos folhetins. Muitas das vezes estes pequenos informativos contavam apenas as novidades das famílias coloniais e faziam algum tipo de propaganda. Com o passar dos anos, estes folhetins sofreram mudanças; não simplesmente por um acaso.
Até então, os jornais não tinham periodicidade e a distribuição dos folhetos era gratuita, em sua grande parte. Mas com a chegada de um novo público aqui no Brasil, outro tipo de informação foi sendo necessário.

Como nosso país passa a abrir os portões para a comercialização e a partir de então se tinha uma espécie de acordo com a Inglaterra, notícias de outro gênero precisavam chegar até nós, tanto é que, o primeiro jornal brasileiro surgiu em Londres para a difusão das matérias inglesas aqui no Brasil. Foi o chamado “Correio Braziliense” criado por Hipólito da Costa. O jornal ganha personalidade em nosso país e passa a ser comercializado, sendo publicado com datas específicas. Por conta deste fator, a linguagem impressa passa por uma enorme metamorfose, a estética e o espaço também, assim como sua tiragem; podemos dizer que se começa a vender a informação, de um certo modo.

Isto fica mais nítido no final dos anos 20, quando começam a surgir as revistas. Mais precisamente em 1928, quando Assis Chateaubriand, criou “O Cruzeiro”, que foi a responsável por toda uma reformulação estética e metodológica no jornalismo.
O diferencial era: textos mais curtos, marcantes, fotos grandes que deixavam muito mais fácil ao leitor, associar imagem à palavra. Na época, foi um fenômeno.
As cores e imagens não só impressionavam o público, como também provaram que realmente proporcionaram sucesso: a revista vendeu quase 800,000 exemplares.

O aparecimento da televisão no Brasil, nos anos 50, também foi fundamental para a disseminação do jornalismo como produto. Como foi criada com base no cinema, ela tinha o intuito de entreter. A primeira transmissão televisiva foi experimental e mostrava cenas do Congresso Eucarístico, realizado na cidade de Juiz de Fora- Minas gerais e o jogo de futebol entre os clubes Bangu (RJ) e Tupi (time local).
Mas, como ela teve um crescimento rápido e o melhor: misturava voz à imagem, com certeza seria um meio fundamental e excelente para transmitir as notícias que até então haviam somente em jornais e revistas.

Hoje, a televisão como um meio magnífico de criação de padrões, alerta as tendências pelas quais as pessoas devem seguir. É através da mesma que nos vemos como parte da sociedade e por meio disto que muitos ganham (afinal, é um meio de divulgação de idéias essencial).
Exatamente por isto que até mesmo as informações que tínhamos de forma básica estão sendo modificadas. É raro ter um dado cem por cento puro.

No jornalismo vemos muitas informações alienadas para vender audiência ou formar opiniões, pois o que se comercializa são conceitos, palavras e pensamentos- e não algo físico. Nele, o exagero aparece no sensacionalismo, em caricaturas, campanhas políticas e também em charges.

Por conta dos fatos em que a humanidade viveu ao longo da história, passou-se a vender a informação, e hoje ela nada mais é do que mais um outro produto. Numa sociedade capitalista isto ocorre/deve ocorrer, pelo simples fato de precisarmos vender para não poder perder este nosso produto à concorrência.
Este, também, é o verdadeiro significado do porque da existência da atual luta pela audiência.

Roberta Cortez