25 de dezembro de 2009

Roda do Ano.

Mais um ano chega ao fim para recomeçar em breve, com mais força e magia que antes. Estamos em Litha, Solstício de verão, o auge do poder. Veja o Deus Sol forte, brilhando em sua plenitude! É hora de pedirmos coragem, energia e saúde para prosseguirmos.

Nosso planeta abençoado possui Deuses e guardiães de extremo poder e nós, humanos, somos iluminados por sermos capazes de enxergar todos eles, juntamente com as suas maravilhas. Vivemos num universo de ciclos e é tudo perfeito à sua forma. No inverno não há quase sol, as noites são mais longas, nossa Deusa Escura aguarda a chegada dos raios solares no ventre da terra – para que assim, o Deus Sol nasça novamente. Então, vemos sua juventude em cada estação de primavera, crescendo junto com as flores. No verão, sua maturidade, no outono seu declínio e no inverno, sua morte, renascendo novamente no próximo ciclo.

Entretanto, enquanto aqui temos os dias mais compridos do ano, no norte temos a noite mais longa. Na nossa lei da natureza, Yule marca o renascimento do Sol, ainda jovem e fraco, como um bebê. Ele reaparece do ventre da escuridão, os dias começam a crescer e as horas de escuridão vão diminuindo aos poucos. Foi a partir daí que se originou o Natal cristão... Renascimento do Deus. Por isto, é tempo de reencontrarmos nossos sonhos e esperanças que agora ressurgem, pedindo para que as divindades nos dêem forças para um novo ciclo.

Esta é a roda mítica da vida, do nascimento, morte e renascimento e se repete em cada um de nós, todos os anos. Quero desejar a todos um novo calendário com muita energia, paz, amor e concretização de sonhos! E não se esqueçam! Dia 31 de Dezembro teremos um evento magnífico: Blue Moon. A lua vai estar totalmente cheia, em seu primeiro dia e super iluminada, deixando-a até com uma coloração azulada... Sua energia será super poderosa para a virada de um novo ano, rezemos para que o céu esteja bem estrelado!

E Feliz 2010!

21 de dezembro de 2009

Paganini...



...Não se escuta, se sente.


Niccolo Paganini. Violinista italiano, nascido de uma família humilde, desde pequeno quieto, observador. O garoto era aplicado, inteligentíssimo e fascinado pela música, já que era o que melhor substituía sua solidão. Seu pai, Antonio Paganini, era um trabalhador muito atarefado e também demasiado severo com relação ao dom musical do garoto. Aos oito anos de idade, Paganini compôs sua primeira sonata, escrevendo a partir de então, a linha do seu teatral destino. Na adolescência, o rapaz já viajava com seu pai por toda a Europa, deixando uma marca profunda a todos aqueles que assistiam a seus espetáculos.


Paganini nunca foi belo. Talvez por isso, via a beleza do amor diferente da maioria de nós. Castil-Blaze, no ano de 1831 o descrevia com um metro e sessenta e cinco de altura, construído em linhas longas, sinuosas, uma face pálida longa com linhas fortes, um nariz pontiagudo, e olho de águia, cabelo ondulado fluindo aos seus ombros e escondendo um pescoço extremamente magro. Seu rosto longo e pálido, lábios finos e um sorriso sarcástico, moldavam sua expressão penetrante. Seus olhos eram escuros como a noite, mas profundos e indecifráveis como altas labaredas. Através da descrição supersticiosa de sua aparência que o gênio transformava seus espetáculos. Niccolo usou disto, para moldar suas apresentações, aquilo que ele poderia interpretar para o mundo.


Apresentando-se com vestes negras, em um cenário lúgubre e sempre com pouca luz, ele criava a atmosfera adequada, despertando o medo que temos do que não é belo - pois afinal, levamos sempre em consideração a aparência. Medo? Mas as canções eram feitas de amor... Seria esse medo, o medo de amar? Olhamos desta maneira, da mesma forma como olhamos para o amor?





Entretanto, Paganini se apresentava daquela maneira, também pelo fato de que não queria que a beleza de seu espetáculo fosse vista, mas sim, sentida. Era justamente a profundidade da arte que ele trazia ao palco.



E assim, toda sua técnica e talento, arrancavam sons mágicos do violino e sua aura etérea prende nossa atenção até hoje, pelo seu modo teatral de nos forçar a interpretar a profundidade da vida, do amor. Seu rosto esquálido contorcia-se, seus cabelos longos e negros agitavam-se e o arco de seu violino fazia movimentos inalcançáveis. Há quem diga que teria feito um pacto com o demônio para poder tocar daquela maneira ou para ter a vida eterna... que as cordas de seu violino foram feitas com os próprios fios de cabelos do diabo.




E acredito que, assim como magos fazem magia com seus átames, alguns artistas fazem mágica com seus instrumentos, máquinas, pincéis. E através de todo este conjunto de talento, arte e magia, ele se tornou eterno.


Paganini representava como vemos o amor.



Texto dedicado à minha falecida tia Cecília Cortês, grande violinista,
que sempre me deixa saudades.

4 de dezembro de 2009

Você acredita em espíritos?

Acho um tanto bizarro falar desta maneira, pois somos feitos disso. As pessoas falam de espírito como se não fizesse parte delas mesmas, como se desconhecessem de si próprias. Se você não acredita em espírito, renega sua própria natureza, possui uma visão extremamente limitada e não acredita em você mesmo.

Não vamos falar de espírito de uma forma bizarra, relacionando-o à morte e ao fantástico, como em contos paranormais. Mas como nossa essência, o que nos move; como é pra ser. Tudo neste universo surge, vive por energia. As estrelas nascem quando partículas gasosas se queimam, em sua própria gravidade. A luz se acende pelo atrito dos elétrons entre si. E nossos corpos? Se movimentam através de nossas almas.

Nossas almas nada mais são do que energia, estão dentro de nós. Energia inteligente que nos movimenta, que nos traz dons, que busca evolução. Como uma matéria mais sutil, o espírito faz parte da lei do universo, mas grande parte da humanidade sente uma dificuldade em assimilar isto. Isto deve ocorrer pelo fato de a Terra ser um planeta denso, estando diretamente ligada ao material. Por ser um planeta de provações, temos a tendência de separamos o espírito da carne, vendo ambos como coisas distintas. Em verdade, estamos ligados, um fazendo parte do outro.

Muitos são ignorantes a ponto de não crerem no que não vêem. Os gases, por exemplo, são muitas vezes invisíveis, mas sem eles, balões coloridos não flutuariam. A eletricidade é matéria... Menos densa que nossos corpos, mas que faz usinas inteiras funcionarem.
O Espírito é tão real como nossos corpos. Como não acreditar em almas sendo que somos uma, aprisionada em um invólucro?

De certo, nossa maioria terrestre não é evoluída para esta compreensão, mas todos de nós um dia estaremos. O mal pode se tornar bem; tudo se transforma. Os anjos e Deuses não reencarnam mais. Olham por nós... provável estarem em outros planetas, outras galáxias...

Mas um dia eu chego lá.

15 de novembro de 2009

Metamorfose Ambulante

O jazz que eu amo.




flickr.com/photos/irog



Eu amo o blues, por isso amo o Jazz. E eu digo que me identifico muito com ele, pois esse sim, é a própria metamorfose vestida de música! Durante apenas um século é fácil observar inúmeras facetas, ritmos, letras... cores!

No início de 1910 até os anos 20, o que se escuta é uma canção que traduz o dia a dia de New Orleans, Chicago e Nova York. Pele, rostos, sorrisos... E em 1930, o que se ouve é a beleza desses sorrisos. É nesse instante que posso dizer que, para traduzir esta beleza em melodia, começam a ser introduzidas orquestras e ritmos sofisticados. E mais mudança! É aí que a “massa crítica” deste gênero, começa a se formar por conseqüência.

Até que a inevitável era dançante e elétrica que estava por vir nos anos 50 - sem sombra de dúvidas - influenciou o "tão modelável". Nasce o cool jazz, uma das minhas faces preferidas, pois não somente fala sobre a graça e formosura do ser humano, mas traz uma proposta intelectualizada do estilo. De Dixieland Nick LaRocca e Jass Band, passando por Fats Waller e Jelly Roll Morton, até Duke Ellington, Earl Hines e Cab Calloway. Todos excêntricos, com improviso e expressão.

Mas o Freejazz absorveu os anos 60. Incerto e perplexo, respirou todas as características daquela década de liberdade para agir, mudar e criar. E assim, nos anos 70, o inevitável acontece: jazz e rock se unem. Uma das minhas bandas prediletas de jazz rock, que gosto de nomear de acid jazz, é a Cold Blood, com a Lydia Pense. Sexy, linda e graciosa, a banda adiciona os elementos do rock dando um toque de agressividade aos tons da música, tornando-a vigorosa e inovadora.

Hoje a gente vê o jazz em músicas eletrônicas e fundido à musica da periferia, ao R&B. Amy Winehouse é um exemplo vivo (ou quase... rs) disso – sorry, não pude resistir ao trocadilho!

O Jazz é isso. Como seu próprio nome diz: do africano rápido e do francês indiscreto. Incrivelmente mutável, mas ao mesmo tempo, consistente. Depois de se fundir com tantos outros modismos, ele ainda se mistura e continua vivo.

Em constante transformação, mas mantendo sua essência.


.

12 de novembro de 2009

Afrodite

"Eu sou Senhora do sangue sagrado. A meretriz dos sucos vaginais. Sou aquela que encarna o pecado e habita as grutas infernais. Fui eu que te dei o desejo que desenhei no teu corpo todos os riscos do sexo. Fui eu que te embalei nos braços e disse a todas que eras mulher. Sou eu que ainda te guio nos descaminhos que inventaste. Sou eu que sustento as violações de um corpo que mutilaste. Tu, que és parte de mim mesma, esqueceste o lugar que te gerou. Tomaste um rumo avesso e contrário e renegaste quem te criou. Mas tu és lua, mulher e loba, e serás assim até o instante final. Não serás ferida, porque és cura. Não será dor, porque és prazer. Não serás culpa, porque és vida. Não serás certeza, porque és abismo!"

Fragmento de texto retirado do livro: A panela de Afrodite - Márcia Frazão




The Pearls Of Aphrodite - Herbert James Draper


Com longos cabelos louros, ondulados, pele branca e aspecto angelical, Afrodite é o amor, a beleza, o carnal. Ao mesmo tempo em que transmite amor fraterno e delicado, transmite sensualidade intensa e um magnetismo inexplicável. Está sempre no mar e em conchas, símbolos do útero, ou deslizando nas ondas do oceano, pois é onde reina. Entre o céu e da terra.

A Deusa do Amor não só quer amar, mas ser amada verdadeiramente. Mas ser amada pode ser algo que fere o orgulho de seu oposto. Puro, ou maculado, livre ou extraconjugal. Vênus...às vezes fico me pensando porquê tenho uma relação tão forte com ela? Será porque sou regida por Marte? Ora, a Filha de Zeus e de Dione, do Céu e do mar, manteve uma relação adúltera com Ares... Bom, só sei de algo: o meu coração não tem cura. Mergulhando nessa imensidão do amor, sinto corpo e vida sagrados. Uma só matéria, unida à divindade. A Deusa Mãe original em muitas tradições, como Iemanjá, Tétis, esposa de Oceano, terra e água. Nunca irá me abandonar.


Porque o amor me consome? Porque meu símbolo é o útero e meu conhecimento é o coração. Ambos, órgãos que me movem. Vasos pelos quais a vida se desperta. Um gera, o outro, sustenta amor.

11 de novembro de 2009


Não tenho nada pra fazer...Como estou triste e entediado! O céu está nublado, garoa...é ruim sair de casa! Todos meus amigos dormem e amanhã eu tenho um longo dia de trabalho. O que fazer?

Escutar música, me conectar em algum bate papo, assistir a um filme? É...acho que são só essas "coisas" que eu tenho à minha disposição.

Xiiiii... E a luz? Pra onde foi? Ah, que tristeza. Sem nada pra fazer, sem ninguém pra conversar, rir, espairar...

Mas aonde está sua alegria? Nessas coisas que agora não funcionam? Em objetos simplesmente inanimados? Olha os Bezouros, os vagalumes. Ria de você mesmo, sinta os olhos da noite que não o deixam ficar no escuro. Brinca de fazer poema, sente o vento que vez por outra toca o rosto.

“Era só o que faltava!”

No outro dia, olha para o sol e deseja a noite escura de novo. Afinal, Pra Quê Luz Para iluminar à ti, Se você não tiver luz para iluminar o mundo?

20 de outubro de 2009

Origem do Halloween.



Cuidar das almas e celebrar a vida!


Enquanto no Norte, estamos no inverno, período de silêncio e morte, à espera do renascimento, aqui no Sul é o oposto: verão, ápice do Sol, momento de abundância, vida e auge do ciclo.


O Halloween celebra o final do Verão, por isso, na realidade, é comemorado aqui no hemisfério Sul em primeiro de maio, chegada do inverno. Entretanto, celebramos esta data em 31 de Outubro universalmente, por representar um momento mágico de passagem e de extrema importância espiritual para todos os seres humanos.

Seu nome real é Samhain que significa "Final do Verão". É um festival governado pela escuridão, por nossa Deusa e celebra a passagem, a morte do Deus, para um novo renascimento - por isso o famoso "dia dos mortos". Diferente do Beltane, o momento em que nos encontramos agora.


Nascimento, reprodução e vida. A união da Deusa ao Deus Sol representa o festival da fertilidade. Onde se planta para colher. Na Religião Antiga, a palavra "fertilidade" significa o desejo de produzir mais nas fazendas e nos campos e não a atividade erótica por si só. Beltane é o retorno do nosso Deus, nosso Sol e está astrologicamente no signo de Touro, que marca a "morte" do Inverno, o "nascimento" da Primavera, sendo o começo da estação do plantio. O festival é ascendente ao nascer da lua na véspera para iluminar o caminho para o Verão.
A luz do sol chega novamente, ilumina as árvores, seca o orvalho, reflete os rostos. Brilhante estrela de vida que gera o calor, a humanidade.





Beltane e Sahmain são opostos como Norte e Sul, Vida e Morte...mas andam sempre juntos. Deus está chegando agora à sua vitalidade, para procriar, envelhecer, morrer e assim, nascer novamente. Eternamente. Louve-mos aos Deuses que nos dão a vida a cada dia, neste ciclo eterno!

Feliz Beltane e Ótima Celebração de Halloween!


=)

5 de outubro de 2009

Quando a Tragédia vira Arte.

Baseado na obra de Mario Puzzo, os Corleone são uma família de mafiosos italianos que tomam conta da maioria dos negócios ilegais de Nova York.

O clima mafioso dos anos 30 e 40 em que os Estados Unidos vivia, volta. Entretanto, essa atmosfera por vez real, é moldada por Coppola e se transforma em arte. Temos agora uma obra prima composta por sagacidade, cinismo, fidelidade, romantismo e sangue. O Poderoso Chefão é um conjunto de presença e valores admiráveis, que formam uma tradição de poder e orgulho, em toda sua trilogia. E a Cavalleria Rusticana define esta personalidade, dando o toque final a obra.


Nem preciso dizer que é o tipo de filme que me atrai, não somente por ser um clássico, mas pela direção em si originar um todo tão atraente. Marlon Brando, o mais velho Corleone e chefe da Família, consegue transmitir todo o arquétipo italiano apenas com seu olhar cônsul e as mãos sob o queixo. Irretocável, muita gente acha que ele é o personagem principal do primeiro filme. Ele está preparando Sonny, interpretado por James Caan, para que possa ser seu sucessor. Al Pacino interpreta Michael Corleone, que parece ser justamente o oposto de sua família; um herói da Segunda Guerra Mundial, justo e digno. Mas é exatamente ele quem nos surpreende. O clássico possui laços que geram um resultado inesperado, grandioso e inesquecível.

Existem muitas cenas que impactam de forma a abrir o leque dramático que o filme propõe. O depoimento, a abertura do filme. O casamento tradicional italiano. O suspense da seqüência da mansão do produtor de cinema. Depois disso, o tiroteio em meio às frutas e a magnífica cena de Michael Corleone no restaurante – é ela que registra a metamorfose que o personagem sofre. A primeira metade do filme é um enigma e a segunda, a peça a completá-lo.

Nós podemos sentir a atmosfera da obra em diferentes formas. Historica, emocional, e tecnicamente falando. O Poderoso Chefão é algo a frente de seu tempo. A montagem, seus planos, as luzes, formam um clima sempre quente, um conjunto que não nos cansamos de ver. Essa composição molda facilmente a leitura do filme, resumindo seu sentido. O desígnio da guerra é retratado de uma forma bela e artística, afinal a luta e todo seu valor possui um significado sagrado para aqueles que do sangue sobrevivem: A paz em sua definição.


Fato: Tudo esboçado de forma soberana.


19 de setembro de 2009

Facetas

Eu quero desmontar toda a mulher que as pessoas constroem a meu respeito. Desfragmentar, criar, brincar com as peças...como um jogo de quebra cabeças. Talvez porque eu queira tudo com extrema intensidade, quero errar pra depois
construir o imaginário das pessoas, de forma fantasiosa. Hoje é tudo tão simples...Temos uma indústria, a beleza serena, tudo côr de rosa. A graça burlesca é justamente a satirização, a "farsa" para esta nossa comédia de costumes.

Não quero um vácuo emocional, espiritual; não quero perder a esperança, falando de forma mais poética. Por isto, se o culto ao corpo existe, vamos então satirizar este invólucro, tornando-o o próprio sentido da vida e nos divertindo com isso? Com o fim do ideal da busca do equilíbrio entre corpo e mente, nos restou apenas o corpo. Somos sim, burlescos, caricatos, cômicos, facetos; e nossa beleza sabe disto.

O que nós vemos é o que sentimos, mas não necessariamente o que somos.

6 de setembro de 2009

Os Sonetos, de William Shekespeare



Pincelando e moldando as figuras em forma de palavras, Shakespeare jogou um véu negro e contemporâneo sobre sonetos. Com isso, ele pôde costurar esse tecido e gerar harmonia em obra, tanto textual, quanto conceitual. De forma natural, assim como a noite engana o dia, a tristeza trai a alegria, a velhice trai a juventude e o tempo, a beleza...

Essa é uma obra prima de palavras que podem ser comparadas a chocolates meio amargos, que não deixam de ser deliciosos misturados ao seu fundo acre. Com uma forte insinuação sexual, o dramaturgo apenas delineia o corriqueiro, porém de forma artística, descrevendo o trivial da forma com que todos nós deveríamos ver. Shakespeare traduz os sonetos europeus amorosos através da poesia da vida.

Rasgando padrões poéticos estritamente seguidos por anos a fio, ele fala de males humanos que não costumavam andar junto com o amor, além de parodiar a paixão, caçoar a beleza, cantar o ser humano e tingir insinuantes notas pornográficas nessa simples vida carnal em que vivemos. Enfim, Os Sonetos Completos de Shakespeare é uma narrativa poética de 1609, A Lover's Complaint.


Soneto 23


Como no palco o ator que é imperfeito

Faz mal o seu papel só por temor,

Ou quem, por ter repleto de ódio o peito

Vê o coração quebrar-se num tremor,

Em mim, por timidez, fica omitido

O rito mais solene da paixão;

E o meu amor eu vejo enfraquecido,

Vergado pela própria dimensão.

Seja meu livro então minha eloqüência

Arauto mudo do que diz meu peito,

Que implora amor e busca recompensa

Mais que a língua que mais o tenha feito.

Saiba ler o que escreve o amor calado:

Ouvir com os olhos é do amor o fado.

20 de agosto de 2009

Finalizando meu conceito sobre igualdade.

Ou seria ética?

E vejam só que ironia! Depois de tanto se discutir sobre a ética humana, de se falar tanto em liberdade e depois jogarmo-nos um balde frio de ditaduras, chegamos ao ponto de controlarmos nossas paixões. Não que isso seja errado, mas é o "preço" que acabamos por pagar.

Aristóteles foi ponderado. Para ele, é exatamente para tanto que a lei serve, sem que os governantes percam sua autoridade. A forma com que os conceitos da Ética de Aristóteles surgem, do contrário do que muitos pensam, não está diretamente contra o julgamento platônico, mas sim, alterada da forma como o mundo contemporâneo e democrático passara a enxergar. Afinal, ele também impede os impulsos mais primitivos do homem, seus apetites e paixões.

O princípio ético é muito forte e explica a tentativa que temos em promover o bem, que já pode partir do princípio em que o ser humano se faz capaz de conciliar interesse individual com o comunitário. O princípio de uma evolução então seria essa moderação de alguns de nossos anseios, sem que seja necessária a total privação dos mesmos em uma seguinte geração. Talvez seja realmente uma utopia essa nossa sociedade perfeita, mas também não haja a necessidade de uma coibição tão grande, em formato de leis - como percebemos no parecer de Platão. Chega a se assemelhar até mesmo á uma forma de castigo. Penso que se houver a possibilidade de uma sociedade perfeita, poderá levar milênios (e claro, se o planeta Terra não for destruído antes).

Vamos levando as coisas... e mudando outras. O que é necessário é a valorização de onde vivemos e da inteligência humana que é magnífica, mas parece que a maioria de nós não está ciente disso. Aristóteles pode ter sido a resposta ao que Sócrates negou-se a responder e que Platão filosofou, para que não possamos pensar num futuro muito distante, mas no bem estar de nosso presente, sem que se prejudique o próximo. Assim, para o bom convívio de nossa geração, o real deve moldar-se a Lei para que seu cumprimento seja possível a todos. Controlando nossas paixões, pois delas derivam-se tanto virtudes quanto vícios.

10 de agosto de 2009

Em busca da Sociedade perfeita.

...E eu continuo imaginando um mundo perfeito, rs. Pra tentar encontrar algum caminho, perguntei à Sócrates; e cheguei à Platão.

Platão segue o caminho oposto de Sócrates. Sua estrutura básica de como seria uma nação perfeita vem de fora para dentro, da sociedade para o indivíduo e não de indivíduo para a sociedade. Platão simplesmente pensava que, para haver igualdade, era necessário entender o que é ser ético para a maioria das pessoas e assim estabelecer um padrão de forma “democrática”, digamos assim.

Através da organização, Platão mostra a necessidade de se formar um sentido de Ética para haver respeito à todos, conseguinte da Justiça. Afinal, o que é bom para mim, não necessariamente é bom para você. Mas... Se vermos do ponto de vista de Sócrates, o Bem é uma única coisa, a humanidade é que ainda não soube enxergar. É exatamente por este motivo que o esquema ético de Platão pode ser uma boa idéia enquanto não conseguimos descobrir.

Muitos se identificam com esta implicação, isto porque, nos tempos de Platão, Atena passava por uma grande evolução estrutural, levando as pessoas à orientar-se para uma sociedade estável, tendendo à perfeição. Creio que sofremos as influências destes pensamentos até os dias de hoje.

A base da reforma democrática sugerida por Platão para construir a sociedade perfeita, pulveriza uma "timocracia do espírito", como dizem os livros de filosofia, onde governantes são os melhores dentre todos os homens de seu tempo no que diz respeito à intelecto, conhecimento, sabedoria e até mesmo espiritualidade. Seres "elevados", digamos. Vejam que semelhança, embora não seja exatamente desta forma. Platão também defendia o fato de que as famílias não se formassem debaixo do mesmo teto, assegurando que seriam cuidadas pelo governo, para que nos tornássemos mais "irmãos". Além disso, mercadores e agricultores seriam apenas para servir os que fazem parte da sociedade, tendo o livre direito de exclusivamente produzir, sem o direito do poder político; ou seja, possuíam uma única função.

Na concepção de Platão é preciso, para as nações, uma grande reforma social, política e econômica; por um lado que desprende do material, sem luxo, mas por outro, com uma disciplina extremamente rígida, parecendo-me um baixo comunismo, pois classifica pessoas por grupos.

Tanta rigidez pode corroer a identidade de uma sociedade, porém, a idéia da existência de um princípio ético é fundamental para uma sociedade que não sabe o que é o bem.

20 de julho de 2009

“Basta saber o que é a bondade para ser bom.”

- SÓCRATES

A base da suposição de Sócrates acerca da ética é algo simples, chegando até a ser “religioso”– basta saber o que é bondade para que se seja bom. Mas o que é bom para mim, é bom para outro indivíduo? Pode parecer ingênuo no mundo de hoje, mas naquela época, essa era uma noção perfeitamente coerente com o pensamento coletivo grego.

Sócrates é o fundador da ciência como conceito, logo, foi o primeiro a tratar a moral como ciência, partindo do ponto de vista ético – a ação racional, de acordo com a sociedade. Assim, antes dele não teria havido uma reflexão mais aprofundada sobre o homem social e ética, mesmo levando em consideração o relativismo, dos sofistas. Apenas para abrir um parêntese, os sofistas foram os primeiros filósofos gregos e sua teoria relativista implica no questionamento da verdade absoluta; ou seja, existem apenas verdades relativas a um determinado tempo e lugar. Com isso, Sócrates é considerado o Pai da Ética, pois estendeu o comportamento moral ao todo.

Embora desde as épocas mais remotas já existissem diferenças perfeitas entre o bem comum e o bem individual, estas eram tão enraizadas na mente grega que talvez ninguém pudesse ainda identificá-las para reflexão. Nós nascemos com isso. Tanto, que sua dissociação só foi possível na época da decadência grega, quando viu-se necessário desfragmentar a mente humana de um modo geral em busca de alguma teoria. Por mais que as visões de Sócrates pareçam “utópicas”, seu conceito era o que o povo de Atena precisava na época. O caminho para sua reflexão era uma resposta à hipocrisia da sociedade que, naquele momento, afirmava que os sofistas sabiam apenas reafirmar antigos valores. Sócrates defende interesses individuais e comunitários em uma única identidade, como um só caminho para a felicidade.

Se basta saber o que é bom para ser bom, porque então existem pensamentos éticos? Os sofistas consideravam que a ética é mera invenção social e, justamente pelo fato de não sabermos o que realmente é a bondade, vivemos com base nela. A noção do bem e outros valores, se perdem em meio à vaidade e hipocrisia dominante que cegam o homem e, ao invés de lutar por estes objetivos reais, confunde-se na névoa das convenções sociais.

Sócrates defende valores antigos de sociedade, mas para isso, precisa se contrapor a alguns dos pensamentos dos próprios sofistas. Isto se dá, pois alguns desses ancestrais negavam uma realidade única, universal, sendo que a bondade é única, partindo do indivíduo. Ele pensa na ética como uma força transformadora do indivíduo, trazendo a felicidade a ambos, Indivíduo e Sociedade.

Com relação à Justiça, os sofistas dizem que ela é a convenção estabelecida pelo mais forte para dominar o mais fraco. Sócrates não concorda... Mas também não discorda. O filósofo defende que os sofistas não estão errados porque a descrição deles corresponde ao estado de coisas na época, mas a lei é necessária deste modo naquele tempo e espaço, de acordo com hábitos e costumes.

O problema é que Sócrates pensava na liberdade, não em leis. A ética, para ele é, sobretudo uma questão de definição de termos e, quiçá, épocas também. Mas... Por que não? Se pensarmos em como chegar à algum lugar através de valores assim, não teremos uma resposta absoluta. Sócrates nunca dá resposta, e sim, questionamentos. Ele nos mostra que as nossas certezas são apenas ilusões. Pensamos que fora ingênuo ao escrever tal consenso sobre ética, quando na verdade, quer despertar dentro de cada um de nós, nossas próprias repostas. Quer conseguir nos arrancar nossa certeza para mergulharmos cada vez mais fundo por respostas. Pode ser que esteja certo e tudo seja questão de tempo...

Enfim, a maior garantia de Sócrates e o senso ético é a auto-construção da verdade para nos tornarmos mais sábios, seres humanos melhores. A ausência de respostas do filósofo faz parte de seu método, já que a verdade um dia se dissolverá, com o tempo. Afinal, um mestre não indica o caminho, apenas adverte sobre as trilhas mais arriscadas. Será que Platão e Aristóteles o entenderam realmente?

8 de julho de 2009

Realidade Nua e Crua.




Hoje assisti novamente o filme “Quanto vale ou é por Quilo” de Sérgio Bianchi, depois de seis anos. E é assim: A realidade como ela é e ponto. O filme é cru em alguns termos, mas como deve ser na soberania capitalista. Bolas, você acha que realmente somos iguais? Afinal, "O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia" – citação ditada pelo ator Lázaro Ramos em cena do filme.

Há quem diga que cineastas, escritores ou até alguns poetas brasileiros querem mais é chocar e vender através de conceitos sensacionalistas, mas creio que isto também já está se tornando um tipo de observação banal, não é mesmo? Chega de rótulos que tanto restringem a visão dos fatos, das coisas como são; à não ser que se tenha o desejo de continuar deste modo... Enfim, partindo deste ponto, creio que Bianchi demonstra que somente com este tipo de linguagem “agressiva” é possível compreender sobre a realidade de disparidades em que vivemos. Certas sensações ou constrangimentos são necessários para tirar algumas pessoas do mundo encantado em que vivem.

Bianchi faz observações muito importantes e defende que para termos uma visão crítica do que acontece aqui e agora é imprescindível levar o passado em conta. O filme deixa claro que nosso passado escravista ainda existe e nossa democracia atual não sofreu muitas diferenças desde a época colonial. Será que evoluímos mesmo ou está tudo estagnado? Haviam desigualdades econômicas, sociais e de direitos no país. E hoje? O incessante elo parece que não irá se desfazer tão cedo.

Entre fotos antigas de capitães do mato e famílias coloniais, e imagens atuais, vemos apenas a diferença do tempo. Igualam-se a violência, o sistema do mais forte, a noção de que pessoas podiam ser propriedade de outras e a lógica de lucro escravista no Brasil. Porque aqui, a prisão pode ser economicamente rentável e geradora de emprego, a denúncia é um negócio dentro de acordos em seqüestros e a miséria forma ONGs que desenvolvem a solidariedade como empresa. Nesta “democracia” essas organizações da sociedade civil ganha em prol de demandas não atendidas pelo Estado, ou seja, funcionando como empresa, incorporando discursos, verbas, reputação e, enfim, o lucro. Responsabilidade social é marketing dentro da nova indústria que gerencia a miséria e os miseráveis. Mas talvez se a estrutura fosse outra, não seria necessário recorrer à essas alternativas para resolver responsabilidades do governo.

É sim, medo, porque se pensa no conforto; mudar pra quê? Porque até a crítica é proveniente da desgraça e uma solução é a chave. Não vou dar minha sugestão justamente por isso. Além do mais, minha opinião já deve estar clara. O filme de Bianchi termina com dois finais, duas opções, pois é isso que deve acontecer: novos desfechos para a nossa História. Para a estrutura do nosso país.




16 de junho de 2009

Tempo não é dinheiro.

Em um mundo tão conturbado como o atual, cheio de coisas para fazer, as pessoas estão se sentido muito carentes em todos os sentidos. Assisti à uma palestra do Flávio, integrante do Grupo SantaGente e escritor do livro “Entrevista com o Relógio”, que abordou um problema muito comum em nossa sociedade, mas que as pessoas têm muita dificuldade em encontrar soluções: a falta de brilho em nossas vidas, decorrente da falta de tempo. Este tipo de obstáculo é o mal do século e pode acarretar tanto em nossa insatisfação profissional quanto pessoal.

Observando que o povo contemporâneo sofre desta “doença”, Flávio resolveu sair às ruas pesquisando o que cada um de nós perguntaríamos à um relógio, e assim, editou seu livro. Com bases em psicologia, o palestrante percebeu que, através das perguntas, o que mais nos falta é nossa valorização. No mundo profissional, principalmente para nós universitários, ao exercermos uma carreira, o que mais nos falta é um ponto de partida, um propósito: o que fazer após o curso? Precisamos ter um foco, e principalmente entender do que vamos tratar. O importante é fazer as pessoas entenderem o que eu falo e não do que eu falo.

Flávio também contou um pouco sobre a concepção de “ânimo” que também é uma das coisas que falta no ser humano, conforme sua análise dos indivíduos. Essa palavra vem do latim ânima, que significa “alma”. Uma pessoa sem ânimo é uma pessoa sem alma, sem vida, desmotivada. Sem motivo não há ação. Nós temos de nos doar ao mundo. Fazer algo inédito, diferente.

Percebi que isso é um conjunto e é exatamente por este motivo que devemos valorizar a união. As pessoas disputam entre si a todo momento e, por isso, pensamos muitas vezes apenas em nós mesmos. E se não se compõe união, compõe-se fração. A fração desintegra-se, por isso é necessário entender aonde se quer chegar e traçar um objetivo, mas sempre trabalhando juntos.
As pessoas dependem de você e você depende das pessoas. Muitas vezes estamos presos ao chão pois não pensamos à frente. Guardamos o passado, diferente das crianças, que não guardam mágoas, por exemplo.

Não podemos desistir perante às dificuldade, o que também é um dos principais problemas que ocorrem conosco, diante de uma situação desafiadora. É necessário correr riscos! Intenção sem ação é ilusão. Mas e quando ficamos indecisos entre duas situações e nos tornamos inseguros? Como decidir? Simples! Decida-se com bom senso e bondade, tanto com relação a você, tanto em relação aos outros. Isso que estou dizendo não é uma questão de auto-ajuda, mas de personalidade e de união (volto a dizer) da sociedade.

Desistir nunca, ter amor ao que se faz e arriscar, mas isso não uqer dizer que você deva deixar de pensar grande e diferente. Nós temos luz própria, mas não devemos ser egocêntricos.
Afinal, o mundo se interessa quando você faz por ele.

Quem quiser entrar na comunidade do Orkut do grupo do Flávio, ta aí:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=34512961

7 de junho de 2009

ÉTICA X MORAL

Ética e moral andam juntas, mas não são a mesma coisa. Elas podem fazer parte uma da outra.


A ética é, como um todo, a teoria que estuda o aspecto moral e define seus conformes perante uma sociedade. Já a moral é um comportamento humano. Assim como temos comportamentos alimentares, sentimentais, temos um comportamento moral. Ou seja, a ética é a ciência que estuda a moral. Como um conjunto, a ética é uma característica inerente a toda ação humana e, por esta razão, é um elemento vital na produção da realidade social. Todo homem possui um senso ético, uma espécie de "consciência" baseada na sua moral, estando constantemente avaliando e julgando suas ações para saber se são boas ou más, certas ou erradas, justas ou injustas de acordo com a mesma.

Existem sempre comportamentos humanos classificáveis sob a ótica do certo e errado, do bem e do mal. Embora relacionadas com o agir individual, essas classificações sempre têm relação com as matrizes culturais que prevalecem em determinadas sociedades e contextos históricos.
A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com os outros relações justas e aceitáveis. Via de regra está fundamentada nas idéias de bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existência plena e feliz.


Entretanto, para se chegar a esta afirmação, pesquisadores do conhecimento dedicam-se à este estudo por centenas de anos. Sociólogos, psicólogos, biólogos e muitos outros profissionais desenvolvem trabalhos no campo da ética e hoje em dia temos uma definição mais precisa.
Hoje, fica claro que a ética nada mais é do que um padrão de comportamento à se seguir, feito por nós mesmos e que varia de acordo com cada cultura - muitas vezes o que é certo na américa, é errado na ásia e assim por diante. A moral é a verdade, o que pensamos independente desses valores, não importando a sociedade ou nação.


13 de maio de 2009

Abaixo o uso de Pele Animal

O uso da pele animal é um luxo mortal e tolo. Inúmeros animais são mortos sem necessidade alguma a um preço altíssimo. Para manter-nos aquecidos, por exemplo, os materiais sintéticos são mais eficazes e muito mais baratos. Então, pra quê matar?

A indústria tem uma campanha fortíssima e uma relação centenária com a moda, lucrando sempre e tendo poder suficiente para elaborar uma imagem duradoura de que aquilo é belo. É por isso que o desejo da compra é tão automático. Porém, sem fundamento. Pessoas chegam a investir U$10.000 em casacos, colares de pele e acessórios, de uma forma frívola, sem procurar a coerência, já com um conceito de luxo em suas mentes; o intuito é vestir um preço e esbanjá-lo.
Os animais não têm como se defender ao modo com que são tratados. A maioria deles é esticada em moinhos ou são mantidos em grande número, dentro de gaiolas minúsculas individuais. Presos nas gaiolas, os animais selvagens não podem agir de acordo com seus comportamentos naturais básicos e, após uma vida de confinamento, os fazendeiros geralmente quebram suas gargantas ou introduzem uma haste electrificada em seu ânus ou vagina, fritando literalmente seu interior.

Segundo a organização FURKILLS, Milhões de chacais, rapozas, linces e outras espécies, são presas em armadilhas com mola e dentes de metal que quebram os ossos e esmagam os músculos. A dor excruciante ainda pode se extender por dias, onde não se dá alimento ou água
antes de serem levados às armadilhas de tortura. Aproximadamente um quarto dos
animais prendidos escapam mastigando seus próprios membros fora.

Até mesmo gatos e cães são mortos da mesma maneira para o uso de pele. É estimado o número de dois milhões a cada ano na China. Investigações recentes à respeito da indústria chinesa, documentam que cães e gatos têm suas peles retiradas quando vivos e, após isso, são deixados de lado ainda respirando - seus olhos ainda piscam e a pulsação do coração permanece, porém é visivelmente abaixo da condição normal. Os consumidores não têm nenhuma maneira de saber se estão comprando a pele do cão ou do gato porque estes produtos - casacos, luvas, chapéus - quase sempre não possuem etiquetas ou são mal etiquetados. Os animais pagam o verdadeiro preço da pele com as suas vidas.

Mais informações: http://www.furkills.org/

1 de maio de 2009

Ilha das Flores, de Jorge Furtado - 1989


O dia do trabalho é propício para uma resenha sobre o curta-metragem que retrata a problemática social do consumo pela comercialização. Em um pouco mais de 10 minutos. Através de recursos, o vídeo estampa a desigualdade humana em nossas mentes, de forma impactante. A linguagem é básica, lógica, mas eficaz.

Um único fruto é o ponto inicial: o tomate. Algo que deveria ser um simples alimento para que todos pudessem desfrutar, irá se tornar o objeto para a compreensão do ciclo social e capital no qual vivemos. A idéia é desvendar todo o procedimento que há através da comercialização junto à sociedade, trazendo com isso, o processo de geração de riquezas, mas conseqüentemente, de desigualdade humana. Através de uma linguagem rápida e simples se torna possível compreender que o capitalismo acumula bens provenientes do lucro, partindo de um ponto que parece, a princípio, muito banal.

Jorge Furtado soube utilizar recursos simples, como técnicas básicas de som e imagens já prontas, ou seja, que não precisaram ser filmadas. O importante aqui é a idéia, não os efeitos que se tem. A obra consegue ser completa sem todos aqueles truques (até porque na época eles não existiam e a verba não permitia). Em muitos casos, se tem muita produção e pouco fundamento. Se ainda não assistiu, assista; vai ser simples enxergar tudo o que a humanidade "consome".

O mais interessante do curta é o momento final. Durante todo o filme, escuta-se efeitos sonoros enquanto está se descrevendo o ciclo capital. No instante em que a verdade “sêca” aparece e que podemos ver todo uma causa que nos torna mesquinhos, a trilha sonora é interrompida; então, o que está sendo dito causa impacto, tem maior ênfase e nos choca.

É importante que a obra chame atenção, afinal, seu intuito é alertar. Alertar com relação aos acontecimentos vindos do sistema capitalista, de forma simples; e fazer-nos refletir sobre esse processo estabelecido, que é tão comum no dia-a-dia. Diante de todo esse ciclo, o filme tem o intuito de mostrar que o humanismo é necessário sobre esta grande mecânica da sociedade. E que acabamos por aceitar, pois ela mesma nos consome.

5 de abril de 2009

Vendando opiniões, Formando sociedades

A revista Veja é pioneira nestes assuntos. Li uma reportagem publicada em fevereiro que me deixou meio confusa. A matéria é sobre a juventude atual que toma o posto dos pais nas decisões dentro de casa (como a compra de eletroeletrônicos, por exemplo) e agem como adultos. De acordo com o texto, os jovens da nossa sociedade têm muito dinheiro, caminham sozinhos, são super tecnológicos e mal informados. Porém, tudo isso é retratado de uma bela forma nas páginas da revista. Estes fatos são mencionados com luxo, como se fosse bonito, moderno e legal, ser consumista e não ter senso crítico. Nas fotos, os adolescentes aparecem presos em redes feitas de fios e cabos, porém super felizes, esbanjando riqueza com suas roupas de marca.

Fiquei pensando no porquê desta estrutura e, mais adiante, encontrei outro ponto que me chamou atenção: não se distingue “juventude” de “adolescência” em todo o texto, mas utiliza-se dos dois termos. Isto não deveria ocorrer pois são entrevistados apenas os adolescentes, de quatorze até os dezessete anos. Será que os jovens não-adolescentes também pensam desta forma? Afinal, Não se lê nenhuma afirmação de alguém que seja realmente maior de 18 anos; talvez porque é o momento em que, normalmente, já se começa a formar opinião própria? Adolescentes manipulados são mais fáceis de controlar...

Um adolescente que ainda está se formando é tratado, nesta reportagem, como um adulto sem responsabilidades. Além de incentivá-los ao consumismo, faz com que sintam-se no direito de tomar um posto do qual ainda não estão preparados para lidar. Mas além de pensar que a matéria faz mal pro adolescente, penso que faz mal para os leitores conscientes também; as informações não coincidem com o que ocorre com a grande parte dos jovens do nosso país e percebemos que estamos sendo enganados de forma absurda.

Um exemplo disso é quando cita-se sobre mesadas: segundo a reportagem, aos 13 anos, os adolescentes recebem de 100 a 300 reais; aos 14 anos o valor vai de 150 a 400 reais, aos 15 anos de 200 a 500 reais; aos 16 anos de 250 a 600 reais e aos 17 anos de 300 a 700 reais. Quando a matéria afirma que os entrevistados recebem este valor, entendemos que ela se refere à maioria dos adolescentes brasileiros, pois coloca o público entrevistado como representante do jovem em nosso país. E sabemos que não; a realidade aqui é diferente. Fica claro que os adolescentes entrevistados foram apenas os de Classe A. Fala-se de 90% dos adolescentes como se fosse noventa por cento dos adolescentes de todo o país; mas na verdade está se tratando apenas da classe de elite. O fato é que a verdadeira maioria acaba ficando invisível.

Concluindo: é uma realidade inventada para que se forme um pensamento futuro. Onde vamos parar com líderes assim?


Quem quiser ler, tá aí: Revista Veja, edição 2100 - ano 42, número 7, de 18 de fevereiro de 2009

20 de março de 2009

Preto, Pobre e Bixa


Por volta de 1902, o Rio de Janeiro era uma cidade deplorável. Ruelas sujas e a falta de saneamento básico fazem da cidade um foco de epidemias.
Então, Rodrigues Alves assume a presidência do Brasil com o intuito de renovar o Rio de Janeiro. Porém, nos moldes das cidades européias, para que fosse bem vista pelos estrangeiros. Por este motivo, cortiços são derrubados, moradores de toda a região são desalojados à força e toda a grande massa fica exclusa de sua própria terra, sem ter para onde ir, simplesmente para que se tivesse uma “boa imagem”.

O Rio foi então reconstruído e os negros que lá moravam, foram proibidos de entrar nesta “nova cidade”. Por este motivo, a exclusão a partir de agora era evidente e grande parte da população é marginalizada. Esta massa começa a se aglomerar na Lapa, e foi neste mesmo lugar que o samba de raiz começa a surgir, retratando a dor, a vida e toda uma história de cada um destes indivíduos. No entanto, esta Lapa passa a ter a fama da obscuridade e de onde não se poderia viver, justamente por causa do preconceito que crescia cada vez mais.

João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, foi a figura ímpar desta exclusão. Freqüentador da Lapa, foi uma pessoa que retratava a vida noturna, a malandragem e também a marginalidade da época.

O filme Madame Satã, interpretado por Lázaro Ramos, deixa bem claro o sentimento vivido naquela época. O longa se passa, em sua grande parte, à noite e possui uma iluminação baixa e chorosa, justamente para que tenhamos a mesma sensação de isolação vivida naquele momento.


Madame Satã, negro, pobre e homossexual, tinha uma vida conturbada, mas a levava ironicamente e era muito extrovertido. Como o típico negro latino, se livrava com malandragem diante de uma situação complicada.
Podemos comparar este “gingado” com a cultura do disfarce, utilizada pelos negros africanos, onde ao fingir que estavam dançando, lutavam com seus inimigos através da capoeira, despistando e fugindo dos feudais. João Francisco ocupava duas personalidades para se livrar da opressão e se dizia filho de Xangô. Ele sofria... Mas cantava. À noite, brilhava. Sua fuga da realidade era através da fantasia. A dualidade fazia parte do seu ser e dentro do carnaval ele encontrava a bagunça, o avesso, o mundo libertário.

Esta essência não pôde ser deixada de lado. Por nenhum de nós. Afinal, somos descendentes africanos e não fugimos de um problema, pois aprendemos a nos camuflar. Sabemos lidar com os dois lados de uma moeda. Um exemplo é quando falamos coisas tristes, sorrindo. Fica clara esta característica...ela não é indígena, não é americana; ela é africana.

Depois da noite vem o dia.
Depois da festa, vem a oração.
Depois do carnaval, vem a quarta de cinzas.


Nota 1: O título do texto apresentado é apenas para retratar a forma como Madame Satã era tratado e designado na época, dito de modo preconceituoso para a opção sexual e a etnia de um indivíduo.


Nota 2: O buraco é muito mais em baixo. As favelas constituem em um problema colonial, visto que, pessoas que foram exclusas de sua própria terra há mais de cem anos, por puro preconceito, não sabiam para onde ir; logo, foram se aglomerando em morros. Hoje não só a população e a pobreza crescem, como a marginalidade e, por incrível que pareça, o preconceito.

8 de março de 2009

Surrealismo

Falar em Surrealismo, Salvador Dali e Companhia, é um pouco polemico... Mas essa escola é absurdamente interessante. Afinal, sua intenção é totalmente diferente do impressionismo. Sua intenção é incomodar!

A Revolução Soviética trouxe inúmeros conflitos político-sociais por conta do poder dominante e condições de vida extremamente desfavoráveis ao desenvolvimento social. Então, em 1917, as famílias burguesas caem e os operários tomam o poder. A desordem e o caos eram o desejo de revolução. É neste instante em que a anarquia se mostra presente e o inferno finalmente se manifesta por completo, como na verdade sempre foi. O mundo agora parecia virar do avesso.

Tantas incertezas despertaram o desejo de fragmentação da mente humana para entendermos certos porquês. Os estudos psicanalíticos de Sigmund Freud foram elaborados para tentar desvendar o que a nossa mente na verdade é. E talvez entender o que realmente estava se passando naquele determinado instante.

Toda uma sociedade queria “rasgar” aquela falsa ordem que os burgueses criaram (cubismo), mas começamos a nos infiltrar em uma parte muito mais obscura, a ponto de querer entender o que nosso próprio semelhante pensa, para assim, incomodá-lo através de seu subconsciente. Principalmente por meio da arte. Estava então se desenvolvendo o Surrealismo.

A repressão foi a base deste movimento, pois é em si um ato não-consciente. Segundo Freud, as pessoas têm alguns pensamentos que não conseguem aceitar ou que são muito dolorosos, então, elas preferem rejeitá-los. Porém, por mais que pensemos que estes foram expulsos de nossas mentes, isto não ocorre. De fato, eles acabam ficando armazenados no nosso inconciente.
Existem coisas que preferimos não pensar pois nos incomodam, mas sempre acabamos sonhando com elas, pois na verdade, ficam guardadas. Estes desejos incômodos que todos nós temos, são retratadas no surrealismo. Por isto nos tocam com tanta profundidade e estranheza.






A Girafa a Arder, Salvador Dali

Um representante notável do movimento foi Salvador Dali, que em certa ocasião, passou a ler e se aprofundar nas obras freudianas, interpretando-as em suas artes e criando um mundo de fantasias, delírios e um universo fantástico – mas um tanto quanto desconfortável. Dali assim o fez, pois percebia o caos em que se encontra o mundo; desta forma, suas obras podem chocar e causar subversão dos sentidos, já que naquele momento, tudo parecia estar de pernas para o ar.
Estas artes parecem grandes paranóias, recusando toda a lógica da nossa vida comum.

A estética do surrealismo constituía em cores fortes, tons avermelhados e sua grande parte, em uma ambientação com sombras. O desenho sempre é perfeito, mas nos impressiona, pois é algo que nosso senso comum não espera. Justamente por ser a parte oculta do nosso ser.
Podemos observar também uma forte influência do sexo, já que a sexualidade em si está diretamente ligada aos processos primitivos da nossa mente.

Jovem Virgem, Salvador Dalí

A sexualidade é trabalhada como uma pulsão no nosso inconsiente. Muitas vezes, podemos ter um desejo reprimido, mas por ser algo primário ou não aceito pela sociedade, nosso superego nos impede de realizá-lo. Logo, quando o surrealismo o retrata, a nossa reação pode ser inesperada.

Desta forma, compreendemos que o movimento surreal tinha a intenção de ir por um caminho totalmente contra o que a humanidade vai, pois não dá atenção ao supérfulo e sim, ao profundo. Ao que fica nas sombras.

Sua idéia pode ser semelhante a do cubismo, no entanto, se os cubistas focavam apenas a destruição, os surrealistas mostravam a destruição e a criação de uma nova linha de pensamento, organizada através de um caminho totalmente oposto.

Desta maneira, o Surrealismo atingiu uma outra realidade que estava escondida no nosso inconsciente. As ilusões, o incômodo, a tristeza e melancolia, foram influências fundamentais para a demonstração de como na verdade somos conturbados em nosso interior. Cobrimos com uma máscara, pois não conseguimos aceitar...e quando nos deparamos com ela, nossa reação é indescritível.

15 de fevereiro de 2009

Reckless



Reckless definitivamene é um clássico. O filme de 1935, intitulado "tentação dos Outros" aqui no Brasil, é um drama musical contagiante e à frente do tempo.Mona Leslie (Jean Harlow) é uma dançarina da Broadway, trabalhadora e querida por todos. Ned(William Powell) e Bob(F.Tone) são seus dois admiradores que a acompanham sempre. Ned é o agente de Mona e Bob é um ricasso que sempre vai assistir seus espetáculos. Mona,porém, se apaixona por Bob e os dois planejam se casar.


O filme, de musical passa a drama. Harlow é humilhada pelo pai de Bob, que não aceita a união do filho com uma dançarina; ao invés disso preferia que ele se casasse com Jo, que seria "de sua classe".Bob então, casa-se com Jo, sob pressão de seu pai; mas na cerimônia da união, ao ver Mona, ele se descontrola e as coisas se complicam. Completamente Bêbado, tenta atacar Mona e todos resolvem levá-lo embora. Infeliz com o casamento, Bob se mata com um tiro em seu quarto. A ex-atriz, agora está só, com um filho recém nascido da sua verdadeira paixão que se suicidara. Incriminada pela imprensa como autora do crime, apenas para ficar com a fortuna, Mona recusa o dinheiro oferecido pelo pai de Bob. Mãe solteira, Mona decide criar o menino longe da família de Bob e começa uma luta para voltar com sua carreira. Desprezada pelos produtores ela decide aceitar a ajuda de Ned, ainda apaixonado, e assim ele monta um show para ela.A cena final é emocionante. Harlow sozinha no palco canta para uma audiência que começa a vaiá-la sem parar, ate jogar coisas sobre ela. A atuação de Jean é tão cheia de tristeza e emoção quando sua personagem, chorando, tenta em vão terminar seu número. É extremamente angustiante vê-la tentar cantar debaixo de vaias. Quando uma mulher levanta da cadeira e grita: Assassina! Mona,corajosamente, dá um basta:"Como vocês ousam? Eu não o matei e não aceitei um centavo, se é isso que vocês querem saber. Eu o amei. Tentei dar a ele uma vida feliz mas não consegui. Sua infelicidade era muito grande. Agora, se esta for a última música que cantarei para vocês, me deixem ao menos terminar".


Na minha opinião, Reckless chega a ser bom como musical... mas como drama é magnífico. Mostra ao público uma Jean Harlow diferente da que todos estavam acostumados. Nada de máfias, blondebombshell e dominadora de homens. Agora vemos uma mulher delicada e determinada.


Ao mostrar sua coragem para o público, Mona ganha o respeito da platéia e, ainda ferida pela reação das pessoas, com seus olhos cheios de lágrimas, termina a canção com garra e é ovacionada por todos. Pra fechar com chave de ouro, Mona retorna e canta Reckless encostada na lateral do palco. Vemos então, William Powell escondido atrás da enorme pilastra, se declarando a ela, aos sussurros; e ela segura sua mão. A atriz sozinha naquele palco imenso, seus olhos cheios de lágrimas e a sua coragem, emocionam à qualquer um. Perfeito! Harlow, definitivamente, não foi apenas a primeira platinum blonde...

2 de janeiro de 2009

Alice e o País das Maravilhas

“Diga o que quer dizer e queira dizer o que você diz!”

Cheshire Cat, o Gato Risonho.
(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)


Eu sou uma admiradora do conto Alice in Wonderland, porque acho que é estória nonsense com mais sentido que existe. Afinal, quando Lewis Carroll diz "Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare", ele nada mais está fazendo do que reforçando o óbvio...tem muita gente, por exemplo, que tentaria continuar. Principalmente aqui no Brasil. Bom, mas isso foi um pensamento alto que eu tive.

Charles Lutwidge Dodson, nada mais que Lewis Carroll (o escritor de Alice’s Adventures in Wonderland), foi um matemático britânico. Mas sempre teve interesse pela arte; ele pintava e depois começou a utilizar sua imaginação à seu favor, escrevendo contos. Vivia conversando muito com crianças e, um tanto quanto polêmico, sempre demonstrava seu amor por elas. Uma de suas frases mais marcantes era "Gosto de crianças (exceto meninos)".

Carroll sempre levava as irmãs Liddel, filhas de um de seus amigos, para passear. Uma das meninas se chamava Alice. Em um desses passeios de barco, Lewis começou a contar uma história incrível, utilizando apenas a Alice à sua frente, e a floresta ao redor do rio. As irmãs Liddel, ao ouvirem a história, ficaram maravilhadas e pediram para ele escrever o conto.
O título original era “Alice Adventure’s Underground”, pelo fato da estória se passar debaixo do solo, mas quando o livro foi pras prateleiras em 1864, teve a modificação para Alice in Wonderland.

Mas o que mais me chama atenção neste conto, é a sensibilidade de persepção de Carroll. O autor valorizava cada ponto das fases das crianças para as quais escrevia seus contos. No caso de Alice no País das Maravilhas, ao meu ver, ele analisou cada momento do comportamento da real Alice para escrevê-lo. Conseguiu fragmentar características da pré-adolescência da menina, dando um toque meio “obscuro”, já que é nesse momento que muitos sonhos infantis são desfeitos.



O que será que mudou à noite? Deixe-me ver: eu era a mesma quando acordei de
manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas se eu não sou
a mesma, a próxima questão é “Quem sou eu?” Ah! esta é a grande confusão!” E
Alice começou a pensar em todas as crianças que ela conhecia e que tinham a
mesma idade dela, para ver se tinha se transformado em alguma delas.

Alice pode ser a própria representante da adolescência. É quem vive os “efeitos” que ela traz. Observem que a história em si começa mesmo, depois que o coelho branco entra na toca, muito rápido, repentinamente, assim como ocorre com a puberdade, quebrando a tranqüilidade da infância.

Detalhes muito interessantes de se observar são as mudanças de tamanho da personagem, as coisas que ela experimenta, todas as confusões que passa em sua mente...tudo isso acontece na idade da adolescência e é o sinônimo da transformação. Alice chega a dizer que não sabe mais nem ao menos quem é após tantas mudanças.

O Coelho Branco, eu poderia dizer que é a própria fase. O personagem que representa a adolescência em si. Afinal, é ele quem inicia a aventura, quando Alice o segue até a toca; é todo apressado e a tira do vale de flores que ela estava. Os governantes na estória são o rei e a Rainha de Copas, justamente pelo fato do conto ter sido feito na era vitoriana (reinado da rainha Vitória). Era a época da Revolução Industrial na Inglaterra. No conto, a Rainha é autoritária e mandona. Provavelmente, a rainha manipulava seus criados como se fossem cartas de baralho, logo, ela foi registrada dessa forma no livro.
Já a lebre, o chapeleiro maluco, e o restate dos moradores, podem fazer o papel das pessoas da sociedade e familiares que a cercam. Para Alice, são totalmente loucos. Ninguém está em seu bom estado e ninguém a entende. O único personagem que parece que a escuta por um momento é o gato risonho. Ele diz que as pessoas são loucas, mostra alguns caminhos à Alice, por mais confusos que possam parecer. Sem dúvidas o personagem mais brilhante! Então, podemos concluir que ele seria a sua consciência tentando desvendar o que acontece em algum instante, inclusive por aparecer e sumir, várias vezes, para a mocinha.
Po, até os cogumelos podem representar algo relacionado à experimentar as coisas proibidas, não?

Carroll, para mim, foi um grande detalhista, pois era observador, minimalista a ponto de colocar problemas de matemática em meio às histórias infantis, e muito observador... embora polêmico, ele era um gênio.