2 de janeiro de 2009

Alice e o País das Maravilhas

“Diga o que quer dizer e queira dizer o que você diz!”

Cheshire Cat, o Gato Risonho.
(Lewis Carroll -Alice no País das Maravilhas)


Eu sou uma admiradora do conto Alice in Wonderland, porque acho que é estória nonsense com mais sentido que existe. Afinal, quando Lewis Carroll diz "Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare", ele nada mais está fazendo do que reforçando o óbvio...tem muita gente, por exemplo, que tentaria continuar. Principalmente aqui no Brasil. Bom, mas isso foi um pensamento alto que eu tive.

Charles Lutwidge Dodson, nada mais que Lewis Carroll (o escritor de Alice’s Adventures in Wonderland), foi um matemático britânico. Mas sempre teve interesse pela arte; ele pintava e depois começou a utilizar sua imaginação à seu favor, escrevendo contos. Vivia conversando muito com crianças e, um tanto quanto polêmico, sempre demonstrava seu amor por elas. Uma de suas frases mais marcantes era "Gosto de crianças (exceto meninos)".

Carroll sempre levava as irmãs Liddel, filhas de um de seus amigos, para passear. Uma das meninas se chamava Alice. Em um desses passeios de barco, Lewis começou a contar uma história incrível, utilizando apenas a Alice à sua frente, e a floresta ao redor do rio. As irmãs Liddel, ao ouvirem a história, ficaram maravilhadas e pediram para ele escrever o conto.
O título original era “Alice Adventure’s Underground”, pelo fato da estória se passar debaixo do solo, mas quando o livro foi pras prateleiras em 1864, teve a modificação para Alice in Wonderland.

Mas o que mais me chama atenção neste conto, é a sensibilidade de persepção de Carroll. O autor valorizava cada ponto das fases das crianças para as quais escrevia seus contos. No caso de Alice no País das Maravilhas, ao meu ver, ele analisou cada momento do comportamento da real Alice para escrevê-lo. Conseguiu fragmentar características da pré-adolescência da menina, dando um toque meio “obscuro”, já que é nesse momento que muitos sonhos infantis são desfeitos.



O que será que mudou à noite? Deixe-me ver: eu era a mesma quando acordei de
manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas se eu não sou
a mesma, a próxima questão é “Quem sou eu?” Ah! esta é a grande confusão!” E
Alice começou a pensar em todas as crianças que ela conhecia e que tinham a
mesma idade dela, para ver se tinha se transformado em alguma delas.

Alice pode ser a própria representante da adolescência. É quem vive os “efeitos” que ela traz. Observem que a história em si começa mesmo, depois que o coelho branco entra na toca, muito rápido, repentinamente, assim como ocorre com a puberdade, quebrando a tranqüilidade da infância.

Detalhes muito interessantes de se observar são as mudanças de tamanho da personagem, as coisas que ela experimenta, todas as confusões que passa em sua mente...tudo isso acontece na idade da adolescência e é o sinônimo da transformação. Alice chega a dizer que não sabe mais nem ao menos quem é após tantas mudanças.

O Coelho Branco, eu poderia dizer que é a própria fase. O personagem que representa a adolescência em si. Afinal, é ele quem inicia a aventura, quando Alice o segue até a toca; é todo apressado e a tira do vale de flores que ela estava. Os governantes na estória são o rei e a Rainha de Copas, justamente pelo fato do conto ter sido feito na era vitoriana (reinado da rainha Vitória). Era a época da Revolução Industrial na Inglaterra. No conto, a Rainha é autoritária e mandona. Provavelmente, a rainha manipulava seus criados como se fossem cartas de baralho, logo, ela foi registrada dessa forma no livro.
Já a lebre, o chapeleiro maluco, e o restate dos moradores, podem fazer o papel das pessoas da sociedade e familiares que a cercam. Para Alice, são totalmente loucos. Ninguém está em seu bom estado e ninguém a entende. O único personagem que parece que a escuta por um momento é o gato risonho. Ele diz que as pessoas são loucas, mostra alguns caminhos à Alice, por mais confusos que possam parecer. Sem dúvidas o personagem mais brilhante! Então, podemos concluir que ele seria a sua consciência tentando desvendar o que acontece em algum instante, inclusive por aparecer e sumir, várias vezes, para a mocinha.
Po, até os cogumelos podem representar algo relacionado à experimentar as coisas proibidas, não?

Carroll, para mim, foi um grande detalhista, pois era observador, minimalista a ponto de colocar problemas de matemática em meio às histórias infantis, e muito observador... embora polêmico, ele era um gênio.