15 de novembro de 2009

Metamorfose Ambulante

O jazz que eu amo.




flickr.com/photos/irog



Eu amo o blues, por isso amo o Jazz. E eu digo que me identifico muito com ele, pois esse sim, é a própria metamorfose vestida de música! Durante apenas um século é fácil observar inúmeras facetas, ritmos, letras... cores!

No início de 1910 até os anos 20, o que se escuta é uma canção que traduz o dia a dia de New Orleans, Chicago e Nova York. Pele, rostos, sorrisos... E em 1930, o que se ouve é a beleza desses sorrisos. É nesse instante que posso dizer que, para traduzir esta beleza em melodia, começam a ser introduzidas orquestras e ritmos sofisticados. E mais mudança! É aí que a “massa crítica” deste gênero, começa a se formar por conseqüência.

Até que a inevitável era dançante e elétrica que estava por vir nos anos 50 - sem sombra de dúvidas - influenciou o "tão modelável". Nasce o cool jazz, uma das minhas faces preferidas, pois não somente fala sobre a graça e formosura do ser humano, mas traz uma proposta intelectualizada do estilo. De Dixieland Nick LaRocca e Jass Band, passando por Fats Waller e Jelly Roll Morton, até Duke Ellington, Earl Hines e Cab Calloway. Todos excêntricos, com improviso e expressão.

Mas o Freejazz absorveu os anos 60. Incerto e perplexo, respirou todas as características daquela década de liberdade para agir, mudar e criar. E assim, nos anos 70, o inevitável acontece: jazz e rock se unem. Uma das minhas bandas prediletas de jazz rock, que gosto de nomear de acid jazz, é a Cold Blood, com a Lydia Pense. Sexy, linda e graciosa, a banda adiciona os elementos do rock dando um toque de agressividade aos tons da música, tornando-a vigorosa e inovadora.

Hoje a gente vê o jazz em músicas eletrônicas e fundido à musica da periferia, ao R&B. Amy Winehouse é um exemplo vivo (ou quase... rs) disso – sorry, não pude resistir ao trocadilho!

O Jazz é isso. Como seu próprio nome diz: do africano rápido e do francês indiscreto. Incrivelmente mutável, mas ao mesmo tempo, consistente. Depois de se fundir com tantos outros modismos, ele ainda se mistura e continua vivo.

Em constante transformação, mas mantendo sua essência.


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12 de novembro de 2009

Afrodite

"Eu sou Senhora do sangue sagrado. A meretriz dos sucos vaginais. Sou aquela que encarna o pecado e habita as grutas infernais. Fui eu que te dei o desejo que desenhei no teu corpo todos os riscos do sexo. Fui eu que te embalei nos braços e disse a todas que eras mulher. Sou eu que ainda te guio nos descaminhos que inventaste. Sou eu que sustento as violações de um corpo que mutilaste. Tu, que és parte de mim mesma, esqueceste o lugar que te gerou. Tomaste um rumo avesso e contrário e renegaste quem te criou. Mas tu és lua, mulher e loba, e serás assim até o instante final. Não serás ferida, porque és cura. Não será dor, porque és prazer. Não serás culpa, porque és vida. Não serás certeza, porque és abismo!"

Fragmento de texto retirado do livro: A panela de Afrodite - Márcia Frazão




The Pearls Of Aphrodite - Herbert James Draper


Com longos cabelos louros, ondulados, pele branca e aspecto angelical, Afrodite é o amor, a beleza, o carnal. Ao mesmo tempo em que transmite amor fraterno e delicado, transmite sensualidade intensa e um magnetismo inexplicável. Está sempre no mar e em conchas, símbolos do útero, ou deslizando nas ondas do oceano, pois é onde reina. Entre o céu e da terra.

A Deusa do Amor não só quer amar, mas ser amada verdadeiramente. Mas ser amada pode ser algo que fere o orgulho de seu oposto. Puro, ou maculado, livre ou extraconjugal. Vênus...às vezes fico me pensando porquê tenho uma relação tão forte com ela? Será porque sou regida por Marte? Ora, a Filha de Zeus e de Dione, do Céu e do mar, manteve uma relação adúltera com Ares... Bom, só sei de algo: o meu coração não tem cura. Mergulhando nessa imensidão do amor, sinto corpo e vida sagrados. Uma só matéria, unida à divindade. A Deusa Mãe original em muitas tradições, como Iemanjá, Tétis, esposa de Oceano, terra e água. Nunca irá me abandonar.


Porque o amor me consome? Porque meu símbolo é o útero e meu conhecimento é o coração. Ambos, órgãos que me movem. Vasos pelos quais a vida se desperta. Um gera, o outro, sustenta amor.

11 de novembro de 2009


Não tenho nada pra fazer...Como estou triste e entediado! O céu está nublado, garoa...é ruim sair de casa! Todos meus amigos dormem e amanhã eu tenho um longo dia de trabalho. O que fazer?

Escutar música, me conectar em algum bate papo, assistir a um filme? É...acho que são só essas "coisas" que eu tenho à minha disposição.

Xiiiii... E a luz? Pra onde foi? Ah, que tristeza. Sem nada pra fazer, sem ninguém pra conversar, rir, espairar...

Mas aonde está sua alegria? Nessas coisas que agora não funcionam? Em objetos simplesmente inanimados? Olha os Bezouros, os vagalumes. Ria de você mesmo, sinta os olhos da noite que não o deixam ficar no escuro. Brinca de fazer poema, sente o vento que vez por outra toca o rosto.

“Era só o que faltava!”

No outro dia, olha para o sol e deseja a noite escura de novo. Afinal, Pra Quê Luz Para iluminar à ti, Se você não tiver luz para iluminar o mundo?