18 de agosto de 2010

A verdadeira face de V

Ele era eu, era você, era todos nós...

Por quais motivos você defende um ideal? Quando os princípios morais passam a ficar em segundo plano, pelo simples fato de dar-se mais crédito ao que se vê, as questões humanas passam despercebidas ou tornam-se utópicas para aqueles que as notam.

Se o homem já foi livre em uma época remota, houve uma momento em que era sacrificado e torturado simplesmente por defender uma verdade, chegando ao ponto de perder a vida ao tentar lutar em prol de um bem único. V de vingança é um conto baseado num homem chamado Guy Fawkes, soldado católico que viveu a era da camuflagem.

Como todos sabemos, a Idade das Trevas era pior que a ditadura de Médici, por isto, até hoje vemos vestígios culturais deixados por ela. Críticos, fanáticos religiosos ou simplesmente cidadãos conservadores censuram o filme dirigido por James McTeigue (história já publicada por Allan Moore), alegando possuir mensagens de ‘má influência’, estimular a violência, ou pior, incentivar o culto à satã. Mas esta falta de visão não ocorre somente por parte dos que estão do lado da crítica, como também pelos seus próprios fãs. Muitos idolatram o herói V por ter explodido o parlamento, por ser contra a religião e blá, blá, blá, venerando unicamente a anarquia e a violência, sendo que, o que deveria ser realmente levado em conta é a intenção da luta, que acaba ficando em segundo plano, ou esquecida.

Ele não era simplesmente um anarquista. Guy Fawkes, o verdadeiro V, se rebelou contra a Igreja Protestante, pois a mesma tentava reformar a nova Inglaterra contra direitos iguais entre religiões, raças e classes sociais. No filme, o protestanismo é interpretado como o poder político atual, que tenta dominar uma nação, bem como tais religioso o faziam no século XVI.
Os protestantes defendiam um único padrão espiritualista e racional, sendo, inclusive, contra a separação entre a igreja e o governo. A força foi aí necessária devido ao forte poder repressor, mas poderia ser um ato evitado, se houvesse coerência.

Infelizmente houve a necessidade da força pelo desejo de igualdade, que deveria partir dos lideres, de maneira natural. Entretanto, o real motivo de sua intenção não deve ser lembrado por pura banalidade, mas, justamente para que atos assim não ocorram.
Não se mede um ato de heroísmo pelo barulho que ele faz, mas por qual motivo foi feito.


“Por trás desta máscara existe uma idéia. E idéias são a prova de balas”.

Quem cria monstros é o sistema e não a sociedade. Os bons inventam mentiras pra dizer a verdade, os maus, inventam mentiras pra camuflá-la.