10 de setembro de 2010

MACONHA: PRECONCEITO NÃO!

Porque as pessoas se sentem tão incomodadas quando falamos sobre maconha? Será que a lei tem um poder tão grande sobre a mente das pessoas? Será que é ela a mãe e o pai do homem contemporâneo? Quando olho pra todos os lados vejo que as pessoas sabem o que é “certo” e o que é “errado” através do que a lei diz à elas, faltando capacidade de discernimento em relação as verdades do mundo. A história está do avesso quando se torna errado defender a paz e certo pré-julgar o seu irmão por causa de um preconceito sem sentido. Essa é a cegueira que não deixa a verdade vir à tona.

Uma vez estava no metrô com uma amiga e uma moça puxou assunto com a gente. Começamos a conversar de tudo um pouco: barzinhos, faculdade, namorados, trabalho, stress e náuseas. Isso é um problema comum pra quem come muito rápido ou quem nunca tem um horário certo pra se alimentar. Minha amiga disse que a maconha era ótima pra isso e de repente a moça “fechou a cara”. Estávamos conversando cerca de 15 minutos ou mais, mas subitamente a garota se retirou. Engraçado? Eu não acho... Aquela moça provavelmente não tinha conhecimento nenhum sobre as propriedades medicinais da erva, então porque ficou tão ofendida? Passou a nos olhar de forma diferente depois do comentário feito, mesmo não tendo idéia do que estávamos falando. Você deve estar pensando: “É lógico, não é normal falar sobre isso!” E Vai continuar não sendo, enquanto não pararmos pra discutir à respeito.

O problema que envolve a maconha é além tráfico. É cultural. A erva é utilizada em vários países em terapias, inclusive legalizada na Holanda através de pesquisas psíquicas, onde comprovou-se ser anti-stress, aguçar a percepção sensorial e até ser benéfica contra náuseas. Sem causar dependência física. Diferente do cigarro, a maconha não forma dependentes químicos, justamente por ser natural; ela não passa por processos industriais e não contém substâncias tóxicas, como aquele que é legalizado.

Fisicamente falando, por que ter preconceito com as pessoas que fumam a erva se quem é adepto da mesma, normalmente é contra químicas, optando por uma alternativa natural? Psicologicamente falando, porque este pré-julgamento se a maconha tranqüiliza e, na maioria das vezes, quem é à seu favor é contra o tráfico, contra a violência? Qual o motivo exato para se julgar? É o julgamento que afasta as pessoas deste tema, dificultando a luta contra a violência. É ele que acaba trazendo os malefícios à nossa sociedade. De uma forma mais resumida, estamos sendo mais prejudicados evitando a legalização.

Para que fique mais claro, vamos fazer uma análise do estado atual do nosso país. Como sabemos, o cigarro causa males irreversíveis ao corpo, como cânceres de boca, pulmão, garganta, além de gangrenas e até mesmo a perda de membros. Através de tantas doenças, o cigarro teoricamente traria muito mais prejuízos ao governo que a maconha, pois além de tornar as filas dos hospitais imensas, transformando o atendimento médico brasileiro num dos piores do mundo, gasta-se uma quantidade absurda em tratamentos e remédios. Além do prejuízo na área da saúde, o cigarro ainda afunda nossa economia em relação ao tão discutido tráfico. Como os brasileiros fumam mais cigarro do que maconha, (não apenas por ser legalizado, mas por deixar o indivíduo quimicamente dependente), o contrabando é bem maior do que o da própria maconha. Impossível? De forma nenhuma. Se pararmos pra pensar, isto é um ciclo sem fim. Quanto mais cigarros são vendidos, mais aumenta-se o tráfico e a dependência química e, consequentemente, filas dos hospitais e prejuízos financeiros. Sem contar a a qualidade de vida da população de nosso país, que decai absurdamente.

Mas porque então continua-se insistindo em algo tão controverso? Porque aqueles que mais dão lucro "por fora" perderiam: a própria indústria tabagista, o crime organizado, etc, etc... É difícil trair quem tanto é aliado. No fim de tudo, quem sustenta o tráfico não é o usuário, acaba sendo a própria proibição - e com algum sentido.

O que penso é que a legalização da maconha não acabará com o tráfico, mas poderá diminuir em muito o contrabando, inclusive dos cigarros. Creio que se a erva for legalizada, poderá ser vendida em farmácias e prescrita por médicos, podendo até mesmo servir de tratamento contra a ansiedade e combatendo outros vícios (como o próprio cigarro). Volto a dizer que ela é homeopática e não irá curar um vício com outro, pois seu uso não causa dependência física ou química.

Creio que esta seria uma excelente alternativa inicial para a liberação da erva, já que nosso país ainda é subdesenvolvido em relação à cultura e à educação. Além disto, seu uso moderado, fará com que aos poucos a sociedade possa se adaptar à idéia de tê-la como amiga, não vilã. As pessoas terão ciência dos benefícios que a erva traz, livrando-se do preconceitos relacionados à ela. Se for legalizada desta maneira, quem sabe seja possível pensar em outras opções de uso futuramente? Esse é meu ponto de vista.

http://www.youtube.com/watch?v=3PKYlbqRHbU