21 de julho de 2011

Carne: Veneno

Discutir vegetarianismo já virou algo banalizado. Isto porque, quando se fala em sofrimento e direitos animais, muitos têm a resposta na ponta da língua: Mas e as plantas? Também não sofrem? Obviamente, as plantas possuem vida, mas não sentimentos, já que elas não choram, não reclamam, não gritam ou urram... Justamente por este motivo que digo que esta espécie é uma forma de vida criada especialmente para nos alimentar.

Independente disto, a natureza de nossa anatomia não é carnívora. Prova disto é nossa arcada dentária toda plana, idêntica a dos herbívoros – com exceção dos caninos que se adaptaram por conta da “idade da pedra”. No período paleolítico, houve escassez vegetal e fomos obrigados a nos alimentar de carne. Infelizmente, nos acostumamos com isso e, com o passar do tempo, houve esta pequena mutação. Para se ter uma idéia, nosso sistema digestivo digere o alimento em 24 horas, não em 5 minutos, como ocorre com os “verdadeiros carnívoros” (isto acontece para que a carne não apodreça em seu estômago). Obviamente, o resultado de quando ingerimos carne é a putrefação do alimento no organismo.

Mas vamos esquecer dos males do corpo por um instante e falemos do mal da alma. Energia vital, cósmica, que é o que realmente rege nosso universo. Muitos sabem que foi graças ao consumo da carne que o cérebro humano aumentou de tamanho rapidamente e, com isso, foi responsável por grandes mudanças no planeta, como novos patamares sociais e novas formas de viver a vida.

O que aconteceu quando nosso cérebro cresceu foi que evoluímos somente a parte racional e terrena de nosso ser, sobrepondo-a aos nossos reais valores morais. Ao invés da essência (espírito), doutrinar os pensamentos, ocorre o contrário: o cérebro que modifica os sentimentos de nosso coração. Posso perceber que junto com o cérebro, aumentou-se também a ganância, a ambição, o egoísmo e outros sentimentos similares, por conta de tantos inventos fúteis e materialistas criados. Ou seja: evolui-se apenas uma parte. Enquanto a ética foi estruturada, a moral foi esquecida.

A cabeça é a parte de nosso corpo que representa o raciocínio lógico e é aonde armazenamos as informações terrenas, de identificação e individualidade. Já a mente é a inteligência da alma e onde percebemos nossos verdadeiros sentimentos, em sua pura condição. Por isto que muitos dizem que é no “coração” que nossa essência está guardada. Quando nosso coração nos diz algo, muitas vezes o ignoramos e nossa “razão” fala mais alto. Podemos considerar que isso não é culpa do indivíduo, mas desse processo evolutivo do cérebro. A maior parte da humanidade ignora sentimentos nobres e valiosíssimos, pois a cabeça “evoluída” os ofusca – eles agora estão frágeis e esquecidos. O cérebro filtra os sentimentos do nosso coração de tal maneira que não conseguimos nem saber o que realmente é o amor puro, a justiça, a paz e, por isto, estamos em guerra.

O cérebro contamina o coração e, como conseqüência, ponderamos a matéria sobre o espírito, sobre os verdadeiros valores universais. A carne é um veneno para o espírito da humanidade, pois alimenta os sentimentos materiais e passageiros. A cobiça, a pretensão, o ódio, são frutos das regras que nós mesmos construímos por este cérebro transformado e cegam o verdadeiro sentido da vida.

Um exemplo em menor proporção, mas não menos importante, é quando o orgulho fala mais alto que o amor. O indivíduo dá mais atenção à vaidade, ao que foi imposto e toma atitudes por pura soberba. Não sabemos interpretar um sentimento tão simples e belo, pois estamos poluídos. Poluídos não só pela carne, mas pelos seus frutos, como a arrogância, a inveja e tantos outros que só existem graças a valorização da matéria. O ódio, a guerra e a presunção humana são resultados dos valores que nós mesmos fabricamos, mas que nem sequer percebemos, pois a causa parece “inofensiva” e ocorre há séculos, sem reprovação, passando de geração a geração.

Não ingerir carne deve ser um processo, assim como foi o ato de começar a comê-la. Como a atual geração humana descende de carnívoros, mesmo sendo vegetarianos, nosso cérebro possui pensamentos e características dos mesmos, mas ao diminuir seu consumo, poderemos voltar gradativamente à nossa essência. Desta maneira, geraremos filhos vegetarianos, com nossos genes e nossas características morais. Purificando gerações, a humanidade irá se tornar cada vez mais elevada espiritualmente e poderemos voltar à nossa essência. Poderemos ponderar entre uma coisa e outra e se tornará muito mais simples identificar o mal do bem.

Um cérebro “consciente” irá consistir em almas mais evoluídas e, com certeza, num mundo melhor. Isto porque, respeitando os outros seres, pensaremos mais no próximo e, assim, haverá menos egoísmo. O que acontece é que transformamos nosso planeta em um reino de inutilidades que se tornaram fundamentais e coisas fundamentais que simplesmente se tornaram inúteis (ou até mesmo esquecidas). Reverter esse quadro exigirá um grande esforço da parte dos que estão “contaminados”. Enquanto vivermos num mundo irreal, cheio de ilusões e paixões, a reflexão será muito mais difícil, pois a capacidade de enxergar nossos próprios atos estará ofuscada.

Podemos dizer, ao pé da letra, que à medida que derramamos sangue, sangue será derramado. Afinal, as guerras, os acidentes, a violência são resultado de uma troca vital de energia. Vamos alimentar nossa essência, afinal, se estamos indo contra nossa própria natureza corpórea, também vamos contra nossa natureza espírita. E sabemos que quando quebramos um ecossistema, causamos um novo problema em outra cadeia – e assim por diante – como um efeito dominó. Acredito que se deixarmos de alimentar a parte material da psique, iremos balancear as energias do corpo. Buscaremos nossa essência perdida, voltaremos aos poucos a escutar nosso coração. Assim, iremos conseguir unir evolução espiritual, com a consciência terrestre.

4 de julho de 2011

Eu sou TUDO.

A Terra é um organismo vivo, no qual todos os seus habitantes são componentes responsáveis por seu funcionamento. Não poderíamos individualizar nada que aqui vemos, pois cada elemento é, inevitavelmente, uma molécula do corpo terrestre. Tudo o que existe está interligado e, por esta razão, não há fragmentos; apenas unidade.

Em certas ocasiões, é até estranho dizer que somos “indivíduos”, por pertencermos a um único corpo. As consciências estão subdivididas, por serem elementos éteres, fora deste plano, mas a matéria não. E nunca estará, já que tudo no universo é reaproveitável. Cada ser está interligado entre si, pelos mais diversos meios (através da cadeia alimentar, do sistema vital, aeróbico ou não, etc). Acredito que enquanto estiver encarnada, a energia experimentará de tudo o que existe, passará por todos os processos e sempre entrará em mutação. Somente assim, estará apta a conhecer os elementos do universo, sem precisar penetrar neles – e cuidar deles, através de outras dimensões.

É preciso ter amor e carinho por tudo, se a intenção é zelar e vigiar a tudo; e a melhor forma de fazê-lo é transformar-se em tudo. Viver tudo e ser tudo. Quando percebemos que o planeta no qual vivemos é uma molécula, comparada ao firmamento e as imensas regiões do espaço, nos damos conta que somos os átomos que a compõe, cuja função é, exclusivamente, cuidar e zelar por seu correto funcionamento. Nossa função é parecida com a das hemácias, que transportam o oxigênio pelo nosso sangue. Imagine se elas falhassem?

A comparação de que o homem poderia ser o câncer do planeta pode estar bem adequada, já que castigar a Terra é castigar a nós mesmos. A espécie humana seria o conjunto de células rebeldes que tiraria a capacidade de fertilização do mundo. Sabemos que aqui tudo se dá. Tudo se planta e tudo se colhe. Se o planeta é um organismo vivo, quando selamos seu solo com piche, bloqueamos sua capacidade de gerar; quando cortamos suas árvores, tiramos sua capacidade de respirar. E prejudicamos a nós mesmos, já que interrompemos um único ecossistema, um conjuto.

Incrivelmente, muitos daqueles que nasceram em meio à industrialização não conseguem ter uma visão deste gênero, de forma aprofundada, justamente por viverem afastados do ceio de sua própria origem. Aquilo que costumo dizer: quanto mais distantes da natureza, mais distantes de nossa própria essência. Fica impossível reconhecer a verdade, em meio a tantas mentiras. Muito simples: quanto mais o homem se “separa” da Terra, mais acredita que não faz parte dela e, por isso, não consegue enxergar que está destruindo a si mesmo.

Você, que está comendo seu bolo na frente do computador agora, deve estar pensando: "Até aí, tudo bem... Mas eu não sou tudo. Não sou a mesma coisa que você!" Engana-se. Volto a dizer que neste plano, você é tudo. A massa do seu bolo é a mistura da farinha, que veio do trigo, gerado pelo solo. Ao ingerir a composição feita pela mistura de ingredientes, estou formando outra composição dentro de mim, que formaria outra massa, responsável por fecundar o solo da minha existência. Fundimos-nos a todos os elementos existentes, durante uma série de instantes de nossa existência.

Se eu respiro, eu sou o ar, pois tenho as moléculas de oxigênio dentro de mim. Se eu bebo água, eu sou a água, pois ela agora faz parte do meu ser. E você? Não está respirando o mesmo ar que eu agora? Tenho os seus vestígios, através de uma imensa simbiose. Eu sou você. Eu sou tudo. A mistura de tudo. De todos os componentes da Terra. Como todos os elementos serão a mistura de algo, por toda a eternidade.

Novamente o conceito de unidade se interliga à espiritualidade, de forma a transformar todas as consciências do universo para superar barreiras de todo e qualquer tipo. Só assim que poderão transcender, co-existir.



“Tudo evolui na natureza, desde o átomo até o Arcanjo que começou por ser átomo também.” – Allan Kardec.