23 de outubro de 2014

Nova Política JÁ!

Não dá mais para ignorar os votos brancos e nulos, nem denominar tais eleitores como “desinformados” ou “irresponsáveis”. Neste ano foram quase 28 milhões de pessoas que se abstiveram do voto, ou seja, mais de 20% de toda a população. O número ainda triplicou a soma de todos os candidatos menos populares (Luciana Genro, Eduardo Jorge, Levy Fidelix, Eymael e Pastor Everaldo).

A verdade é que, atualmente, o individuo que opta por não votar, independente do modo escolhido, muitas vezes é bem informado e até mesmo engajado em causas sociais, porém não concorda em como a política está sendo aplicada ou em seus parâmetros, não tendo o menor desejo de ser conivente com tal modelo.

Nestas eleições os números ficaram claros, mas existe uma brecha positiva. Um dos candidatos está propondo a Reforma Política Democrática na qual existe a possibilidade do cidadão assinar um formulário para que o projeto seja colocado em prática. A coalizão já está estruturada, porém o Partido dos Trabalhados (PT) promete dar atenção e estrutura para que a iniciativa seja colocada em prática.

Ao meu ver este é um passo importante, pois enfoca a  proibição do financiamento de campanhas através de empresas privadas (fazendo com que as propagandas eleitorais tornem-se bem menos massivas e agressivas), bem como ampliar os mecanismos de participação direta da sociedade em grandes decisões para o país (algo além dos referendos, acredito). Entretanto, penso que ainda faltam muitos pontos importantes a serem inseridos.

Todos sabemos que partidos são, na maioria brutal das vezes, apenas fachada. Eles não existem. Porém, como ainda há siglas, que estas sejam um pouco mais coerentes e  até mesmo categóricas em relação às suas diretrizes. Uma alternativa para que isso de fato ocorresse, poderia se paltar na elaboração de critérios pelos quais uma pessoa deveria se enquadrar para então se afiliar a um partido. Atualmente estes critérios não existem. O único ponto relevado é que o candidato seja “popular”, pois quanto mais conhecido for, mais chances de se eleger. Afinal, quanto mais cadeiras forem ocupadas por determinada sigla, mais interessante para ela, não é mesmo?

Ora, nós não temos que elaborar projetos para disputar leis de incentivo? Porquê, para um cargo político, o indivíduo não tem nenhuma avaliação? Se ele desenvolvesse uma proposta de governo, em forma de projeto, que devesse ser aprovada pelo partido e, no final do seu mandato, prestasse conta do que conseguiu ou não executar (e caso não, o indivíduo fosse cobrado pelos dirigentes), com certeza teríamos pessoas mais sérias e engajadas ocupando cargos políticos. No modelo em que vivemos, grande parte das pessoas querem cadeiras para ganhar dinheiro, não para propor soluções.

Outra ideia é que as “Propagandas Eleitorais Gratuitas” não fossem mais gratuitas e fossem mais bem distribuídas. A pauta da Reforma Política contra o Financiamento por Empresas já é um bom começo, pois exclui a participação de grandes corporações. Entretanto, embora tal medida possa filtrar bem a demanda de propagandas, não irá acabar com questões como desvio de verba, nem excluirá os bancos desta jogada. Além disso, as siglas menos populares se prejudicariam com a medida. Quando você joga a responsabilidade mobilizadora para o partido, cada um produz seu programa ou propaganda eleitoral por seus esforços e, mesmo um tendo mais condições e verba do que outro, a distribuição igualitária de horários televisivos e radialísticos não permite que o “grandão” ocupe quase toda a grande por ter mais recurso. Se cada partido tivesse um dia específico da semana, cada um com o mínimo de 15 e o máximo de 30 minutos para expor suas ideias, por exemplo (sendo um tempo igual, estipulado para todos), as ideias e relações seriam distribuídas de maneira mais justa.


São apenas ideais, palpites que podem enriquecer e ir lapidando o longo caminho que temos pela frente. Conforme a consciência de que cargos públicos são posições sérias for gerada e alimentada através destas  mudanças, poderemos até mesmo pensar em voto facultativo e em quebra de alianças partidárias, além de muitas outras soluções realmente democráticas, ao meu ver. Essas serão conquistas futuras, mas que já devem começar a ser construídas desde já.

14 de agosto de 2014

Ser, Uno, Devir - Essencialmente Metafísicos

Nossa natureza é refletir sobre a existência. É isso que nos faz humanos. Por mais que tentemos fugir da análise interior e do encontro com o todo, com a consciência maior, isso inevitavelmente vai nos arrebatar, cedo ou tarde. E não é nada sobrenatural, a ciência já explica. A prática deste tipo de reflexão chama-se “Ontologia”, ramo filosófico que trata do ser enquanto ser.

Até o mais ateísta, quando reflete sobre o porquê ele não acredita no que não vê, está entrando em estado de meditação sobre si e sobre o universo – sobre a existência como um todo. Além disso: aquele que busca em nada crer (claro, pelo exercício da reflexão) é o que mais está indo além.

Num espaço vazio, cabe tudo. Ser e não ter, eis a afirmativa! Algo que antes soava místico, hoje é a metafísica genuína se manifestando. Meta-físca = além da física. Além do palpável, mais que isso, a busca interior, inevitável em todo o ser.

Suas ideias podem ser platônicas, aristotélicas ou nietscheanas, elas sempre vão se completar. As ramificações da ontologia antiga tentavam subdividir o próprio pensamento humano, defendendo realidades diferentes para tentar exprimir um único caminho. Porém ser, uno e devir, são apenas galhos de um mesmo tronco. Primeiro você nasceu, tornou-se. Depois, tentou explicá-lo e, com isso, o reduziu. E por não querer ser, por pensar e refletir, existiu com o tempo. Por você mesmo.

A verdade é que os argumentos são muitos, mas são todos. São vários e se completam. Mesmo sendo divergentes, se preenchem, fazem parte um do outro. Está na natureza, é como o cosmos funciona. Sempre tem a outra parte. Um exemplo prático está em nosso cotidiano: a base da tecnologia que utilizamos trata-se do simples e essencial sistema-binário.

Nada pode ser fixo, porque um ponto sempre será a contrapartida de outro; eles se precisam. E você sempre vai ponderar sobre isso. Você sempre vai buscar, sempre vai pensar, refletir, meditar, eternamente. A luz não rebate no espaço, mesmo existindo zilhões de estrelas, porque lá não há parede. O som não reverbera, pois não existe acústica num infinito. Então, quanto mais consciência tiver de que és um espaço infinito, mais coisas caberão em você.

A nossa essência é sempre buscar além do limite. Pensar e sempre expandir a consciência. São infinitas as possibilidades de nós mesmos. Isso nos completa enquanto seres.

31 de julho de 2014

Sentido de Amar


"O que a maioria das pessoas não tem consciência ainda é que o relacionamento entre um homem e uma mulher (ou um casal, independente do sexo), vai além da atração meramente carnal... É uma doação humana, uma entrega de afeto e cuidado. Uma conexão que se faz para a eternidade, pelo desejo de firmar uma espécie com mais amor e compreensão. Pela união, não só na parte bonita, mas também nos precipícios da vida" - Roberta Cortês.

18 de junho de 2014

A Ração do Ego.

O que eu sinto é um desdém de pessoas para com outras pessoas. Estamos fragilizados, por algum motivo e, muitas vezes, perdemos o controle disso, sem sequer percebermos tal falha – brutal, diga-se de passagem. Há uma desconfiança por causa de tantos pensamentos maliciosos que são colocados em nossas cabeças. Talvez se evitássemos de estar introduzidos nessa fábrica de neurose, esses pensamentos cessassem e, conseqüentemente, nossos relacionamentos melhorassem.

Desconfia-se que o atraso da carta é proposital, que o abraço é uma punhalada nas costas e até mesmo que a fome que o semelhante passa é comodismo. O que realmente estamos nutrindo dentro de nós? E porque não se fala sobre estas desconfianças abertamente, uns com os outros? Será porque alimentarmos ela no silêncio nos faz melhores, diante de nós mesmos? É confortante para o ego?


E mesmo que um ou outro tente essa aproximação... o conseguinte ainda se afastará, para continuar a desconfiar. Para continuar a alimentar o ego com a ração das neuras. Pobre de nós que vivemos num mundo de ilusões. Acostumamos tanto com isso, que preferimos continuar a girar essa roda de Samsara. 

11 de maio de 2014

Hedonismo

Do grego "hedonê", a palavra hedonismo significa prazer e vontade. A filosofia do Hedonismo coloca o prazer como bem supremo da vida humana. Muitos podem pensar: "mas que estudo egocêntrico!" - pois eu digo, esperem! Todos nós podemos encontrar prazer após a dor, bonanza, depois da tempestade, luz no fim do túnel... plenitude em meio ao caos.

Só o caos nos transforma, nos torna mais equilibrados, mais tolerantes, embora pareça controverso. Ele nos aperfeiçoa sempre mais, pois nos faz refletir a respeito do que mais somos capazes de "aguentar", com o que mais conseguimos lidar. Isso está na macro-natureza, na força cósmica. Vide o espaço infinito: existe a escuridão imensa; mas ela mesma é responsável por produzir inúmeros gases que formam nebulosas, capazes de gerar luz e vida em abundância. Claro, a luz se apaga, mas sempre irá voltar para aquele ventre obscuro e misterioso, onde se misturará com o todo para formar uma nova vida. Poeticamente falando: o escuro do universo é o grande caldeirão onde a única saída é o gozo de deus.

Para nós, humanos mortais, isso não deve ser levado ao pé da letra. O primeiro filósofo que estudou o hedonismo foi Aristipo. Ele dizia que o prazer era a saída para nossos sofrimentos, mas ligava-o a ação do corpo humano. Como nossa alma possui dois lados (o áspero e o sutil), a busca do prazer pelos mecanismos de nosso organismo diminuiria nossos sofrimentos. Porém, mais adiante, Epicuro (outro filósofo que viria na sequência) defenderia que o alcance do puro prazer só seria possível com a meditação, pois este só existe de maneira perfeita no plano moral (sutil, como o é).

Epicuro dizia que o verdadeiro prazer não era possível unicamente com a busca da satisfação do corpo, mas sim por meio da libertação do sofrimento, da dor e da agitação. Entretanto, para se chegar a este estado imparcial é preciso buscar concentração no equilíbrio, no amor e na serenidade, abandonando a busca desenfreada por bens materiais e prazeres corporais, todos passageiros. 

Somente eliminando pensamentos grotescos, o verdadeiro prazer vem. Mesmo que alguém queira suprir suas preocupações através dos meios corporais, esta satisfação virá, porém incompleta, já que os meios utilizados foram frágeis.

17 de março de 2014

Aborto

Com relação ao aborto, sou a favor, porém existem muitos parênteses nesse assunto. Não é bem assim: a mulher aborta se achar que tem que abordar. A lei para legalização do aborto não pode, nem deve depender unicamente da escolha da mãe, pois haveria uma série de problemas, além de ser pouco eficaz. A escolha deve ser feita sim, mas acompanhada por uma assistência social, bem como por psicólogos. Não temos informação, nem esclarecimento suficientes para tomar esse tipo de decisão sozinhas.

Pensemos: se a deliberação fosse dada unica e exclusivamente pela mulher, uma boa parte das mais pobres e menos instruídas, ainda assim não abortaria, mesmo sem condição financeira nenhuma, já que a cultura deste perfil social está mais ligada aos dogmas e preceitos religiosos, sendo imoral uma atitude como essa - sem contar a pressão psicológica por parte da família, caso ela seja menor de idade, onde a maioria dos pais exige que o filho nasça, mesmo trazendo inúmeros conflitos para a mãe, mesmo o filho sendo proveniente de um estupro, por exemplo.

É necessário um acompanhamento do processo de vivência de cada mulher, para que exista um apoio e instruções sobre qual seria o caminho mais adequado. Não depende apenas de uma vontade, mas de uma decisão tomada com certeza e responsabilidade e, como a informação sobre os riscos e até mesmo importância do aborto consciente não chega à todas as mulheres, como deixar essa decisão apenas nas mãos dela?

Se existe condição de ter um filho, educá-lo e cuidar do bem estar físico e psicológico do ser, sem trazer danos psicológicos para a mãe (no caso do estupro, mencionado acima) o melhor caminho é não abortar, afinal, o procedimento é delicado e pouco saudável para o organismo feminino. Se não existe condição alguma, a solução seria o aborto, entretanto, para a parcela menos instruída, é preciso ainda convencer a respeito disso, educar, já que o dogma ainda sobressai sobre a informação, pois o pensamento está arraigado à religião.