18 de junho de 2014

A Ração do Ego.

O que eu sinto é um desdém de pessoas para com outras pessoas. Estamos fragilizados, por algum motivo e, muitas vezes, perdemos o controle disso, sem sequer percebermos tal falha – brutal, diga-se de passagem. Há uma desconfiança por causa de tantos pensamentos maliciosos que são colocados em nossas cabeças. Talvez se evitássemos de estar introduzidos nessa fábrica de neurose, esses pensamentos cessassem e, conseqüentemente, nossos relacionamentos melhorassem.

Desconfia-se que o atraso da carta é proposital, que o abraço é uma punhalada nas costas e até mesmo que a fome que o semelhante passa é comodismo. O que realmente estamos nutrindo dentro de nós? E porque não se fala sobre estas desconfianças abertamente, uns com os outros? Será porque alimentarmos ela no silêncio nos faz melhores, diante de nós mesmos? É confortante para o ego?


E mesmo que um ou outro tente essa aproximação... o conseguinte ainda se afastará, para continuar a desconfiar. Para continuar a alimentar o ego com a ração das neuras. Pobre de nós que vivemos num mundo de ilusões. Acostumamos tanto com isso, que preferimos continuar a girar essa roda de Samsara.