24 de março de 2015

A Ditadura Midiática

Vivemos em uma ditadura midiática, principalmente se tratando do veículo televisivo, simplesmente porque as emissoras privadas dominam o espaço aqui mencionado. Mas pra nos aprofundarmos nessa questão, é importante citar a diferença entre as redes que existem neste meio: pública, estatal e privada.

As redes privadas (exemplo: Rede Globo de Televisão) são emissoras que pertencem a um grupo de empresas ou a uma corporação, normalmente mediante a um sistema de afiliação. Sendo assim, seu principal objetivo é a busca pela liderança de audiência em favor de seus ganhos, visando o lucro por meio de sua grade de programação (inserindo ideologias que lhe convém e o famoso product placement) e contratos comerciais. O conteúdo fica a critério dos clientes e já chega pronto aos olhos e ouvidos do telespectador.

No caso das redes públicas de televisão (exemplo: TV Brasil), seu mecanismo está embasado na formação coletiva, tendo como fonte o recurso público e a audiência, porém não maximizada, mas sim, local, já que é voltada ao interesse das comunidades. Associações, coletivos e moradores, enquanto indivíduos, tem seu espaço neste tipo de estrutura. Ou seja, todos participam da produção de conteúdo, através de contratos ou programas dinâmicos, pois tais emissoras visam a formação crítica do telespectador. A programação não chega pronta à ele, já que é feita por ele.

Já na TV estatal (exemplo: TV Escola, do ministério da educação e TV NBR), o produto normalmente é a divulgação das ações governamentais e as ações do poder executivo. Seu interesse está na audiência segmentada, como por exemplo, professores e coordenadores, no caso da TV Escola e advogados e juízes, se relacionarmos à TV Senado, por exemplo. Obviamente, o telespectador não segmentado, também “sai ganhando” ao assistir este tipo de programação, já que tem acesso à conteúdos de interesse público, tendo informação que seja necessário sair de casa para acompanhar sessões plenárias. Entretanto, o senso crítico deve se torna mais aguçado, assistindo à vários canais deste segmento, preferencialmente de oposições.

Quem detém grande parcela dos sinais de radiodifusão audiovisual são as emissoras privadas, passando por cima das leis e decretos existentes. Uns relacionam isso ao poder financeiro, outros à falta de atenção dada à qualidade da transmissão. E é por isso que hoje, a ditadura que tanto assombrou nossos pais e nosso país, está existindo por força contrária, manipulando neurônios através da mídia. Isso não é teoria da conspiração, nem fanatismo, pois existem números que comprovam um abismo assombroso entre o que é lei e quem realmente manda no Brasil: o setor privado (detentor do poder financeiro).

Por lei, deve existir uma distribuição harmoniosa da porcentagem da radiodifusão sonora e a chamada de sons e imagens. O artigo 223 da Constituição Federal deixa clara a obrigação do esforço do Ministério da Comunicação em haver mútua contemplação das redes:

“(...) Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”.

Como comunicóloga e telespectadora, acredito que essa lei não está sendo cumprida (mesmo). No “olhômetro” calculo que, de todas as emissoras disponíveis, 65% são de domínio privado. Eu, Roberta; em minha casa, com sinal digital, consigo assistir 4 TV’s estatais – NBR, Tv Senado, Tv Escola e Tv Câmara – por volta de 3 TV’s públicas – Tv Brasil, TVT e Cultura (que agora acho que já nem é mais pública, pois uma parte sua foi vendida, tornando-se mista) – e, pasmem, 40 canais de emissoras privadas, entre eles, Record, Globo, etc, etc. Esta proporção segue, tanto pra quem não tem sinal digital (em menor escala), quanto pra quem tem TV por assinatura (no caso desta última, sendo uma comparação até mais bizarra, já que existem infinidades de canais privados). Ou seja, de uma forma ou de outra, a maioria brutal de nosso país assiste só o que lhe é vendido.

E porque isso acontece? Segundo os debates atuais do Fórum Nacional de Televisão Pública, são: o poder das empresas privadas sobre a concessão das leis e a péssima qualidade do sinal, ainda analógico, que não é discutido pelo Ministério das Comunicações. Como as TV’s públicas não teriam verba suficiente para manter sua programação, não “valeria a pena” investir para se colocar tais canais no ar, já que pouquíssimas pessoas teriam acesso ao mesmo.

É por esta razão que, no decorrer do ano de 2014, foi discutido o empenho em converter os sinais televisivos de analógico para digital, a fim de que as redes públicas conseguissem mais espaço e mais autonomia. Foram discutidos temas como a sobrevivência destas redes, bem como o papel da televisão pública, o que gerou a proposta de uma nova legislação.

Enquanto isso, advinhem, meus caros amigos, o que acontece? As TV's privadas usam seu espaço para impor notícias e ideias na cabeça da população. Como grande parte da massa não tem acesso às outras opções citadas, seja por falta de incentivo/qualidade ou dinheiro, não é possível ver os dois lados da moeda e lá se vai o senso crítico! Prova disso é o que está acontecendo nestes primeiros meses de 2015.

Estourou a lista dos supostamente envolvidos no escândalo mundial do HSBC, e nela, haviam nomes de parceiros e contratados da Rede Globo, como Jô Soares, Claudia Raia, Marília Pêra, Francisco Cuoco, Roberto Medina, entre muitos outros. A emissora não fez matéria nenhuma a respeito. Outro caso assombroso que estranhei não ter visto nas notícias do Jornal Nacional foi o "Cartel do Metrô". O Governo do PSDB foi acusado pelo maior mensalão de transportes públicos do país, onde foram desviados mais de R$ 100 milhões e nada foi divulgado. No começo de Fevereiro foi descoberto que mais da metade da campanha do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi bancada por empresas investigadas por fraudes e formação de cartel em licitações do metrô, tanto do estado de São Paulo, como do Distrito Federal.

Enfim, fiquei sabendo de uma série de outros acontecimentos através do jornal “Reporter Brasil” da Tv Brasil. Mas, assistindo aos jornais globais, não vi nem poeira sobre esses temas. Não podemos dizer que a emissora está por trás de toda esta corrupção, mas existem envolvidos em esquemas que "não devem" ser divulgados e, por seu grande poder de alcance, infelizmente certos fatos ficam às sombras da maior parte da população, já que são escolhidos os temas que serão mostrados e, consequentemente, os que irão impactar na cabeça da massa.

É fato e todos sabemos, que devemos ter acesso a todo tipo de informação, por isso, a "unanimidade" destes canais privados deve acabar, já que não são de interesse público. As informações são escolhidas por seus clientes e enviadas à dedo a cada cérebro que as assiste. Nos jornais das TV’s públicas que costumo assistir, vejo uma série de notícias, incluindo sobre os desvios da Petrobrás. Mas nos canais privados, as notícias ultimamente parece que são sempre as mesmas... Só se fala nisso!

Que fique claro: Tv Pública não é a mesma coisa que Tv Estatal. As emissoras públicas, como eu disse no início deste post, não tem interesse em disseminar ações governamentais. O interesse é justamente outro.

Nossa “guerra” agora deve ser contra estas emissoras que não visam interesse público, somente privado, pois o intuito da comunicação, perante a constituição, é informar, instruir e educar, de maneira imparcial. O que está acontecendo é uma grande manobra. Se grande parte da sociedade está sendo “informada” por instituições lucrativas, pois a maior parte do sinal disponibilizado é para os detentores da moeda (fato), estaremos caminhando, a cada dia mais, de acordo com seus interesses. O que veremos a cada dia é uma população cada vez mais manobrada e sem senso crítico.

Façamos o seguinte: o que essa grande mídia diz pra você fazer, não faça. Até que ela esteja reestruturada. Manifeste por uma comunicação mais justa, mais pública, onde todos tenham voz. Por uma educação mais crítica... porque todos os governos são iguais. E por que todos os governos são iguais? Porque o que está errado é o sistema. Se um sair, virá outro, mas a coisa toda ficará igualzinha. O que precisa mudar é a raíz. O modo de operar cada veia da nossa sociedade. E eu acredito que a comunicação deve ser essa próxima via. Tem que ser, porque a situação tá ficando preta...