22 de junho de 2015

O Diagrama de Copérnico

Copérnico foi o primeiro estudioso que propôs um sistema heliocêntrico. Antes dele, o homem pensava que a Terra estava parada, estática no centro de tudo e que, todos os outros astros, inclusive o Sol, giravam em torno dela. A proposta do filósofo, inicialmente, foi contra todos os princípios e crenças existentes, já que a igreja era o estado da época, sendo interpretada, inclusive, como uma afronta à deus. Afinal, o homem enquanto filho celestial absoluto, deveria estar ali, no centro de tudo.


Sistema Geocêntrico - Defendido por Aristóteles e "aperfeiçoado" por Ptolomeu

Para além da questão dogmática, o esquema conhecido hoje como "Diagrama de Copérnico" fora considerado também um absurdo fora da realidade natural. A ousadia sacra desdobrou-se para a ciência da época. Se já era extremamente difícil imaginar vários corpos celestes, fazendo suas rotas específicas, sem chocarem-se um com o outro, pior seria imaginar que todos os planetas faziam a mesma órbita. Com estes dois motivos, aparentemente incontestáveis, o diagrama acabou tornando-se irrelevante também do ponto de vista matemático.

Diagrama de Nicolau Copérnico

Porém, quando os estudiosos começaram a perceber que o desenho em questão tratava-se de uma representação 2D de um espaço 3D, onde cada linha representava uma posição, não necessariamente uma órbita, passou a ficar muito mais simples de se considerar o esquema algo mais sóbrio do que as outras hipóteses até então levantadas.

No primeiro exemplo, cada astro teria de ter, segundo Ptolomeu, um epiciclo para completar sua órbita. Caso contrário, os planetas teriam apenas dia e noite, pois fariam apenas o giro em torno deles mesmos, giro este, chamado de rotação. O planeta não completaria anos, já que não faria trajetória em torno de um astro "referência" - percurso este, denominado translação.

Entretanto, com o novo Diagrama de Copérnico, não havia mais a necessidade de se pensar que cada astro deveria ter seu "centro de translação", ou seja, vários epiciclos, pois haveria um "grande e único epiciclo", no caso, o Sol, onde todos estavam girando livremente em torno dele, sem interferir nas rotações particulares. Muito mais simples, não?

Talvez Aristóteles, Ptolomeu e todos os outros que estudaram o espaço antes de Nicolau Copérnico, no fundo, já sabiam disso, mas os paradigmas culturais e os pensamentos sacros os impediam de pensar em algo mais simples e lúcido. Por isso, buscava-se saídas para que a Terra continuasse ali, como pupila favorita de Deus, reinando junto ao homem, como criação soberana no centro do espaço - ou de seu ego.

Apenas depois da morte de Copérnico, seu Diagrama e, consequentemente, o Sistema Heliocêntrico, foi aceito e comprovado pela ciência.