17 de setembro de 2015

A Placa Pioneer

Desenvolvida por Carl Sagan, Linda Sagan e Frank Drake em 1972, a Placa Pioneer foi enviada em uma sonda a fim de tentar comunicar sobre as características da vida na Terra para eventuais alienígenas e, assim, tentar estabelecer contato. A placa foi confeccionada em ouro puro, necessário para informar o metal de valor utilizado em nosso planeta.

Dentre as diversas mensagens contidas na placa, os cientistas perceberam que três delas deveriam ter fundamental destaque: informar nossa semelhança aos demais seres do universo, descrever nossa composição específica e mostrar em que lugar do espaço estamos localizados. Além disso, estas mensagens deveriam ser extremamente simples de se compreender por quem quer que a recebesse.

No caso da primeira questão, seria simples descrever nossa semelhança. Bastava imprimir na placa o símbolo do hidrogênio, elemento mais comum no universo. Porém, nossa representação de Hidrogênio (H) provavelmente não seria a mesma de outros seres pensantes localizados há anos luz de distância. Sendo assim, Carl Sagan e Frank Drake decidiram que iriam descrever, não somente este símbolo, como também todos as outras informações exatas (posição do nosso sol em relação ao centro de nossa galáxia, altura dos seres humanos, etc) através de uma contagem binária.

Como se fosse um Código Morse, onde as linhas tracejadas indicavam uma relação numérica decimal baseada no sistema binário, primórdio do equilíbrio e entendimento universal. Fora as informações matemáticas, poderiam haver desenhos, a fim de descrever formas reais e imutáveis, como por exemplo os círculos, representando os planetas, e o corpo do ser humano.

Formas primárias e cálculo binário foram inseridos na Placa Piorneer. 
Além do desenho representativo que comparava o tamanho do ser humano em relação à sonda.

Porém, para que se tivesse ideia real da proporção da espécie humana, foi criado um desenho da sonda atrás do casal ilustrado, para que o tamanho pudesse ser comparado e entendido por qualquer ser que viesse a ter acesso a placa. Além disso, o ato da mão erguida foi cuidadosamente inserido para simbolizar um gesto amigável, onde era possível ler que estávamos em missão de paz, por meio de uma forma de saudação.

Entretanto, muitas polêmicas foram levantadas a respeito do desenho que estava representando nossa espécie. A primeira foi: porquê apenas o homem foi incumbido de cumprimentar os extraterrestres? Porquê a mulher também não deveria saudá-los? Linda Sagan, responsável pelos desenhos, explicou que este ponto foi baseado no comportamento do homem primitivo, onde os espécimes masculinos saíam para a caça e tomavam a frente nas relações interdinâmicas. Além disso, se ambos estivessem com a mão erguida, como acontece em nossa cultura contemporânea, os seres do outro mundo poderiam pensar que todos os seres humanos andavam com as mãos erguidas em nosso planeta.

A segunda polêmica, ponto extremamente discutido até hoje, foi a de que a vagina da mulher não fora toda desenhada. O risco central que representaria o corte do órgão genital feminino simplesmente não foi concebido na imagem, uma triste falha que, posteriormente, fora profundamente lamentada pela cientista. Porém, Linda explica atualmente que isso só ocorreu graças a onda conservadora que passou a invadir a Europa e, principalmente, os Estados Unido no início dos anos 60. Para não "comprar uma briga" com o governo norte americano e autoridades religiosas, Linda resolveu não desenhar a genitália por completo, com receio de que a placa deixasse de ser lançada no espaço por conta disso.

Isso me remete a erros que ainda estamos cometendo nos dias de hoje, por conservadorismo religioso e cultural, quando deixamos fatores deste nível invadir a ciência e a política... Erros já cometidos, que deveriam servir de aprendizado e formação. Caso realmente concebêssemos a imparcialidade e, no bom sentido, a "frieza científica", estimo que nossa espécie estaria, atualmente, mais de um século a frente dos avanços já conquistados. Calculo isso, pois não deve ser a primeira vez que o mesmo erro se repete entre nós, depois que começamos a nos organizar como sociedade.

Mas isso já é assunto para a reflexão do texto...