2 de fevereiro de 2017

Precisamos falar sobre Borderline

O mundo do borderline parece normal, externamente. Conturbado, mas normal. Isso porque está numa linha tênue entre desequilíbrio e estabilidade. Porém, do contrário que a maioria pensa, existe um universo imenso de questionamentos que ninguém tem a obrigação de compreender - se para o próprio diagnosticado isso é um desafio.

Borderlines são pessoas sensíveis para além do que é considerado "média", por isso percebem muito rapidamente coisas e situações - em excesso. Por conta disso, aprendem rápido, tendo considerada sua inteligência auspiciosa, pelos médicos psiquiatras e outros cientistas da mente.

Em consequência disso, o quadro proporciona um comportamento resistente perante à sociedade. A conversa com um borderline normalmente é repleta de argumentos, onde o indivíduo sempre busca fundamentados de maior ou menor grau, de acordo com o nível da patologia. Pelos leigos, na maioria dos casos, a pessoa borderline é tida como teimosa, mimada ou prepotente. Contudo, existe uma diferença entre a personalidade comum, teimosa, da personalidade borderline: aquele que apresenta o quadro vivencia duas ou mais realidades, amplificando todo o tipo de ponto de vista, levando o debate à questões profundas e extremas, simplesmente por não aceitar uma única conclusão limite, que não seja passível de questionamentos. Percepção extra-sensorial, para os mais "místicos".

É por esta razão que o indivíduo borderline possui grande facilidade de compreender os mais diversos campos e pessoas, pois realmente entra nos universos propostos, porém isso deixa-os confusos entre as realidades - o que leva à medicina psiquiatra à compará-los, em leve grau, ao esquizofrênico. A diferença é que os dois (ou mais) mundos paralelos do esquizofrênico o impedem de viver em sociedade, pois o diagnosticado possui dificuldades de entender qual é o mundo real e qual o mundo imaginário, diferente do borderline, que consegue conviver com os dois. Contudo, por vezes, essas realidades paralelas vêm à tona de maneira muito intensa e pode haver confusão entre tempo e espaço, mas logo o indivíduo volta ao presente (como uma espécie de distração muito forte e, as vezes, um deja-vu).

Este quadro se desenvolve, na maioria brutal dos casos, logo na infância, por negligência ou problemas parentais psiquiátricos, que obriga o ser a tomar iniciativas muito cedo (formando um indivíduo altamente crítico). Agressões na família (tornando o indivíduo rebelde e resistente, desde muito pequeno) e comportamentos paternos de domínio, supressão e opressão, desenvolvem características plurais sobre definições de juízo (dúvida sobre sua sexualidade, sobre o que é ser normal na sociedade, o que é certo ou errado, experimentação de universos proibidos, como o uso de drogas e outros questionamentos e constatações).

É importante dialogarmos sobre o borderline, pois não se trata de uma doença mental irreversível, nem de um capricho. Este diagnosticado se esforça para entender os problemas, diferente de um ser meramente teimoso ou "chato". E neste seu esforço de entendimento, pode se sentir imerso demais, nos mostrando - ou ensinando - uma série de pontos de vista (...) mas tornando-se confuso com isso. E, então, quem irá ajudá-lo?

Arte: Neil Simone

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