7 de junho de 2017

Amor Próprio

Forester
No mês passado, elaborei um artigo sobre o todo, analisando a base do universo. Mas como conseguimos acessar a pureza do amar, estar conectado, se não confiamos na existência? Como saber se tudo está correto, mesmo quando não parece? Ter discernimento que tudo faz parte de uma coisa só as vezes é muito difícil quando estamos passando por um momento conturbado; por isso a meditação é importante.

Para conhecer o todo, primeiro temos que conhecer a nós mesmos. Entretanto, é difícil conhecer a nós mesmos, se não temos tempo para olhar para dentro. A maior parte das pessoas chega cansada do trabalho, dá uma "fuçadinha" na internet ou assiste TV e, logo, está dormindo, para no dia seguinte acordar cedo novamente, tomar café, pegar a condução correndo para chegar trabalho e se concentrar durante o dia inteiro. Como conhecer a si mesmo, se não temos tempo para pensar nas nossas atitudes, muito menos meditar sobre elas? Essa seria a maneira mais eficaz e transformadora de evolução. Com essa falta de autorreflexão, o ser humano passa a ficar distante de si mesmo, não tem tempo para fazer o que gosta e sente-se vazio. Como amar alguém que não se conhece?

Aqueles que acham que se amam, na verdade apenas possuem vaidade (me refiro a maioria absoluta). Como se amar verdadeiramente, se não se (re)conhece? Se não enxergam profundamente o que existe dentro do seu eu, trata-se de um amor superficial. Ou uma paixão própria. Amar a si mesmo não tem nada a ver com ego.

O mais curioso é que, muitas das pessoas que têm tempo e instrução, muitas vezes têm medo de olhar para dentro, também deixando a meditação de lado. Isso porque sabem que não vão gostar do que vão ver quando adentrarem as profundezas do cérebro e do coração. Porém, esse é o único caminho para o autoconhecimento e a sabedoria do todo.

No começo, esse processo de aprofundamento é um pouco desconfortável, pois encontramos falhas que, no consciente, costumamos negar, esconder; mas isso é temporário, porque conforme vamos conhecendo as nossas atitudes, as entendemos e as compreendemos, sabendo que tudo é necessário para nosso desenvolvimento moral/espiritual e que faz parte de uma coisa só. Livramo-nos da culpa e nos tornamos seres melhores. Grande parte da sociedade fala muito sobre "Amar a Deus sobre todas as coisas" e sobre amor ao próximo, mas ninguém fala sobre o amor próprio da maneira que deve ser abordado.

Além da meditação, outro ponto importante para se amar, é buscar aquilo que realmente é bom para nós mesmos. Sem egoísmo, como um cuidado. Quando amamos alguém, desejamos o melhor à ele, certo? Fazemos coisas para agradar e deixá-lo feliz. A partir deste ponto, faça o que realmente te satisfaça. A melhor coisa que podemos oferecer aos outros é nossa alegria. Mas antes disso, a melhor coisa que podemos dar à nossa própria vida, é o cuidado com a própria alma e a dedicação de se expandir a consciência. Isso nos deixa felizes conosco e o resultado é um estado de paz permanente - dentro e fora.

Amar não é adular o ego corpóreo com objetos e prazeres temporários. Esse é um engano grave que o sistema, inclusive, nos faz acreditar; isso nos confunde. Assim, uma mentalidade egocêntrica e interesseira é estimulada e esquece-se totalmente da essência, do verdadeiro eu. Da alma. Se não possuírem esse amor e compreensão interiores, não serão capazes de amar o próximo verdadeiramente... E, menos ainda, a existência (que chama-se deus).